Na última quarta-feira (01/04), a Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou a cerimônia de posse da nova direção do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN). O professor José Roberto Zamian, deixou o cargo de diretor adjunto para assumir como diretor-geral ao lado da professora Marcelle Pereira Mota, nova diretora-adjunta. O evento, realizado no auditório do Instituto, reuniu docentes, técnicos, estudantes e representantes da gestão superior da Universidade.

Encerrando o ciclo de sua gestão, o professor e ex-diretor do ICEN, Marcos Monteiro Diniz, abriu a mesa oficial apresentando um balanço dos últimos oito anos da direção, destacando avanços acadêmicos, a ampliação da pós-graduação e a melhoria das relações institucionais. “Isso é resultado do trabalho de toda a comunidade acadêmica que atuou com afinco, seriedade e amor pelo ensino público. Nada disso teria sido possível sem o diálogo com discentes, professores e técnicos”, afirmou. O ex-diretor apontou resultados significativos na graduação e na pós-graduação, como a melhoria nas avaliações dos cursos, a consolidação de programas com nível de excelência internacional e a qualificação dos técnicos do Instituto, o que valoriza e humaniza a gestão.

A diretora-adjunta empossada, Marcelle Pereira Mota, enfatizou o compromisso com a continuidade dos avanços institucionais e a construção de uma gestão participativa. “A UFPA é a minha casa, onde me formei e onde construí a maior parte da minha trajetória, e o ICEN se transformou em um ambiente onde as pessoas querem estar, com melhorias na infraestrutura, nos processos e na forma de trabalhar. Assumir a direção adjunta é um compromisso de dar continuidade ao que está sendo bem feito e avançar nas frentes que ainda precisam de atenção”, destacou.
A professora também ressaltou a importância da representatividade feminina nos espaços de liderança acadêmica. “Estar em cargos de liderança é uma forma de mostrar que as mulheres podem ocupar qualquer espaço, inclusive nas áreas de exatas. Quando mulheres ocupam espaços de visibilidade, elas inspiram outras a seguir o mesmo caminho”, pontuou. Encerrando o seu discurso, a nova diretora adjunta evidenciou a importância do trabalho coletivo na gestão. “Não acredito em realizações individuais. É o trabalho em equipe que fortalece o Instituto”.

O novo diretor-geral do ICEN, José Roberto Zamian, ressaltou o compromisso da gestão com a continuidade das ações desenvolvidas nos últimos anos e com o fortalecimento da estrutura administrativa e acadêmica do Instituto. “Muitas conquistas foram possíveis graças à liderança e ao trabalho conjunto desenvolvido nos últimos anos. A gestão não faz nada sozinha; é o trabalho de servidores, docentes e técnicos que permite os avanços do Instituto”, pontuou.
De acordo com o novo diretor, a proposta é garantir melhores condições para que docentes e estudantes possam se dedicar às atividades acadêmicas. “A gestão também enfrenta desafios do cotidiano, mas precisa estar estruturada para garantir o funcionamento e facilitar a vida da comunidade. Queremos garantir que docentes e discentes tenham mais tempo para se dedicar ao ensino, à pesquisa e à extensão.”
Zamian também salientou o papel social da universidade, reforçando a meta de dialogar com o público interno e externo. “A nossa universidade é singular e plural. Por estar na Amazônia, ela carrega desafios únicos e uma forte responsabilidade com a região, por isso, ela precisa estar próxima da sociedade, sem perder a empatia e a humanidade. Estaremos com as portas abertas para o diálogo e contamos com toda a comunidade para seguir avançando”, declarou.

Compondo a mesa oficial da cerimônia, a vice-reitora da UFPA, Loiane Prado Verbicaro, abordou os desafios contemporâneos do ensino superior. “Temos enfrentado desafios como evasão, retenção e a necessidade de tornar os cursos mais atrativos para os estudantes”, apontou, enfatizando que a educação pública de qualidade deve ser um projeto coletivo, o qual exige união e compromisso com justiça social.
A vice-reitora também complementou as falas acerca das políticas institucionais voltadas à equidade de gênero. “Os estereótipos de gênero moldam a trajetória das mulheres na ciência, especialmente nas áreas de exatas. Historicamente, a racionalidade foi associada aos homens, enquanto o cuidado foi atribuído às mulheres e isso impacta a ocupação dos espaços acadêmicos”, reiterou. Verbicaro ressaltou que a UFPA tem investido em ações de formação, revisão de editais e criação de espaços de acolhimento para ampliar a participação feminina na academia. “Queremos ampliar a participação das mulheres não apenas como estudantes, mas também em cargos de liderança e protagonismo.”

No encerramento oficial da cerimônia, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, frisou o papel estratégico do Instituto no desenvolvimento científico e na formação acadêmica, corroborando a importância de uma ciência conectada às demandas sociais. “Todas as ciências são humanas. Não existe ciência desprovida das relações humanas”, garantiu. “Hoje temos falas mais humanas na universidade, superando aquela visão da ciência como algo distante das pessoas.”
Para o reitor, a universidade deve atuar como espaço de inovação e transformação. “A universidade só faz sentido quando reinventa caminhos, cria soluções e transforma a realidade. Se a universidade não for um espaço de reinvenção, ela perde sua razão de existir. Nossa responsabilidade é pensar um país com condições e direitos para todos”, concluiu.
A nova gestão ficará no comando do instituto entre os anos de 2026 a 2030.

