A proposta brasileira de criação do ODS 18, apresentada em 2023 durante uma Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), busca incluir a igualdade étnico-racial e o combate ao racismo no centro da Agenda 2030. Nesse contexto, a Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Campus Universitário de Castanhal, desenvolve um projeto de extensão voltado à produção de materiais didáticos e metodologias para a educação das relações étnico-raciais.
Criado pela Faculdade de Pedagogia do Campus de Castanhal, o Projeto Ludicidade Africana e Afro-Brasileira (LAAB) promove a formação de estudantes do curso e de professores da educação básica para a educação das relações étnico-raciais e a compreensão da realidade e das especificidades das escolas quilombolas. A iniciativa também mantém articulação com a sociedade civil organizada e desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão alinhadas às diretrizes da Lei nº 10.639/2003.

O projeto tem como foco a cultura lúdica africana e afro-brasileira, compreendida com base em uma perspectiva ampliada de ludicidade. Segundo a coordenadora, Débora Alfaia, a abordagem não se limita ao brincar, mas incorpora experiências estéticas e culturais, incluindo expressões artísticas afrocentradas, literatura escrita e oral, saberes matemáticos presentes em jogos e brincadeiras de matriz africana e educação para as relações étnico-raciais como eixo transversal de combate ao racismo e à promoção da igualdade.
“Na prática, o projeto funciona conectando a universidade, a formação continuada de docentes e a educação básica, atendendo desde a educação infantil até o ensino superior, com atuação marcante em escolas de comunidades quilombolas da região, como Menino Jesus de Petimandeua, em Inhangapi; e São Pedro, em Castanhal”, destaca a coordenadora.
A iniciativa também desenvolve atividades temáticas ao longo do ano. Em abril, por exemplo, é realizada uma programação dedicada à valorização, à história e aos direitos dos povos indígenas brasileiros. Em setembro, há mais de uma década, o projeto promove a distribuição de guloseimas para celebrar a força da infância nas tradições religiosas de matriz africana, como parte das ações de combate ao preconceito e à intolerância religiosa.
Materiais produzidos – O projeto também atua na produção de materiais didáticos, como e-books, coletâneas acadêmicas e obras sobre infâncias quilombolas e cultura popular. Os trabalhos são apresentados e socializados em congressos nacionais de educação e diversidade étnico-racial, fortalecendo a articulação da iniciativa com redes de pesquisadores voltadas à educação e ao combate ao racismo estrutural.
As publicações podem ser acessadas no site oficial do projeto.
A descolonização do currículo escolar também está entre os objetivos da iniciativa. Segundo a coordenadora, historicamente, o conhecimento escolar esteve associado a perspectivas eurocêntricas que contribuíram para invisibilizar as contribuições intelectuais e estéticas das populações negras. Nesse sentido, o projeto reconhece as matrizes africana e afro-brasileira como produtoras de ciência, arte e conhecimento.
“Levar essa prática para a graduação em Pedagogia e para os programas de formação docente é fundamental para qualificar a práxis educativa frente ao racismo estrutural, pois, a partir dela, é possível superar o abismo entre a teoria e a prática, formar docentes-pesquisadores atentos ao território e multiplicar o impacto em rede”, completa a coordenadora.
Para saber mais sobre a iniciativa, acesse as redes sociais do projeto.

