UFPA e Ibama avançam na construção de parceria para pesquisa e gestão ambiental no Pará

A Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no Pará (Ibama/PA) discutiram, nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, a construção de uma parceria institucional voltada ao enfrentamento de desafios ambientais no estado. O encontro, realizado na Reitoria da UFPA, reuniu o reitor Gilmar Pereira da Silva, o superintendente do Ibama no Pará, Alex Lacerda de Souza, o chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama no Pará, Luiz Paulo Printes Albarelli de Castro, e professores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB).

A proposta é estabelecer um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que funcione como instrumento abrangente para o desenvolvimento de diferentes projetos conjuntos. Entre as possibilidades, estão pesquisas aplicadas, estágios, ações de extensão, capacitação de servidores, conservação da fauna silvestre, controle de espécies exóticas invasoras, recuperação ambiental e uso de tecnologias para monitoramento da biodiversidade.

Durante a reunião, Luiz Paulo Printes Albarelli de Castro apresentou os principais campos nos quais o conhecimento produzido pela Universidade pode contribuir para a execução da Política Nacional do Meio Ambiente. Segundo ele, a intenção é aproximar pesquisadores e estudantes de problemas concretos enfrentados pelo órgão ambiental, possibilitando a produção de protocolos, relatórios, laudos, tecnologias, atividades formativas e outros resultados aplicáveis à gestão pública.

Para ele, a atuação conjunta pode ser organizada em três eixos. O primeiro é o da pesquisa aplicada, com estudos relacionados, por exemplo, ao controle de espécies exóticas invasoras, como o mexilhão-dourado, o camarão-tigre e o peixe-leão, e ao uso de drones, inteligência artificial e outras tecnologias no acompanhamento da fauna e da vegetação. O segundo envolve estágios e extensão, com a participação de estudantes em atividades de campo, conservação de espécies e atendimento a animais silvestres. O terceiro está direcionado à recuperação ambiental de áreas degradadas.

Na avaliação do reitor Gilmar Pereira da Silva, a cooperação poderá mobilizar competências existentes em diferentes áreas da UFPA, para além das Ciências Biológicas. “Temos muitas possibilidades de trabalho conjunto. Vejo como possibilidade áreas como Educação Ambiental, Engenharia Florestal, Direito, Medicina Veterinária, Informática, Sensoriamento Remoto, além de diferentes programas de pós-graduação. Precisamos colocar essas competências em conexão com as demandas ao nosso redor e fazer com que a formação e a pesquisa desenvolvidas na Universidade também contribuam para solucionar problemas concretos da Amazônia”, afirmou.

O reitor também ressaltou a possibilidade de criar ações específicas de formação, como turmas de pós-graduação direcionadas às necessidades do órgão ambiental, além do ingresso de servidores do Ibama em programas já existentes. Nesse modelo, dissertações e teses poderiam ser desenvolvidas para responder a questões relacionadas à gestão ambiental e gerar produtos de interesse público.

Conservação da fauna – Uma das frentes apresentadas foi a possível transformação do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Pará (Cetas-PA), localizado em Benevides, em um espaço de formação prática. Nessa construção, a participação da UFPA poderá envolver diferentes etapas do atendimento aos animais, como recepção e triagem, quarentena clínica, definição de dietas, reabilitação, enriquecimento ambiental, soltura e monitoramento após o retorno à natureza.

A parceria também poderá contribuir para a identificação e a avaliação de áreas de soltura de animais silvestres. Esses locais precisam apresentar condições ambientais adequadas, como capacidade de suporte, disponibilidade de água e alimento e proteção contra ameaças humanas. A análise científica é necessária para ampliar as possibilidades de devolução segura dos animais reabilitados à natureza e acompanhar os resultados das solturas.

Outro projeto destacado durante a reunião foi o Programa de Conservação do Peixe-Boi no Estado do Pará. A iniciativa atua no resgate, na reabilitação, na soltura e no monitoramento dos animais, com a participação de comunidades e ações de educação ambiental. O programa ganhou uma nova estrutura para preparar peixes-bois mantidos em cativeiro para o retorno à natureza, processo que exige acompanhamento veterinário, adequação da dieta e uso de equipamentos de rastreamento.

“O Ibama quer muito que essa parceria avance. Temos um conjunto amplo de atividades que podemos desenvolver juntos e entendemos que hoje o órgão ambiental precisa estar cada vez mais ligado à pesquisa, à formação e à produção de conhecimento, porque os desafios da Amazônia exigem essa integração”, declarou o superintendente Alex Lacerda de Souza.

Recuperação ambiental – A recuperação de áreas degradadas foi apontada como um dos maiores desafios enfrentados pelo Ibama no Pará. Entre as iniciativas mencionadas, está o Recupera Paragominas, construído com a participação do Ibama, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, da Prefeitura de Paragominas, do Ministério Público, de instituições de pesquisa, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil. O projeto busca apoiar a regularização e a recuperação de áreas degradadas, com possibilidades de recomposição da vegetação nativa, regeneração natural, implantação de sistemas produtivos permitidos pela legislação e formação de corredores ecológicos.

A contribuição da UFPA poderá incluir a análise técnica de projetos, o levantamento de indicadores de biodiversidade e o acompanhamento das condições ambientais para além das imagens de satélite. Também foram discutidas pesquisas sobre recuperação de riachos, marcação e monitoramento de peixes, recomposição da vegetação e avaliação dos efeitos das intervenções nos ecossistemas.

Como encaminhamento, UFPA e Ibama deverão analisar a proposta do Acordo de Cooperação Técnica já enviada à Universidade e ampliar o plano de trabalho, incorporando as diferentes áreas com potencial para participar da iniciativa. Depois de formalizado, o acordo funcionará como um instrumento geral para abrigar projetos específicos, com cronogramas, responsabilidades e produtos definidos em planos próprios.

TEXTO: Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Alexandre de Moraes - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de QualidadeODS 14 - Vida na ÁguaODS 15 - Vida TerrestreODS 16 - Paz, Justiça e Instituições EficazesODS 17 - Parcerias e Meios de Implementação

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