A Universidade Federal do Pará (UFPA) recebeu, pela primeira vez na Região Norte, o Congresso Internacional de História da Construção Luso-Brasileira (CIHCLB). Em sua quinta edição, o evento reuniu, em Belém, pesquisadores, profissionais e estudantes para discutir a história da construção e os desafios relacionados à conservação e à transmissão do patrimônio construído para as próximas gerações.
Com o tema “Entre passado, presente e futuro: influências e tendências”, o 5º CIHCLB ocorreu em formato híbrido e contou com mais de 300 inscritos. A programação incluiu conferências, apresentações de trabalhos, mesas de discussão e atividades técnicas, reunindo diferentes áreas do conhecimento em torno das práticas construtivas desenvolvidas ao longo do tempo no universo luso-brasileiro.
A presidente do congresso, professora Thaís Sanjad, destacou que a realização do evento na UFPA amplia, geograficamente, uma trajetória de intercâmbio científico iniciada há mais de uma década. Segundo a pesquisadora, a quinta edição propôs uma reflexão sobre os desdobramentos das práticas construtivas e os desafios da preservação do patrimônio luso-brasileiro, apontando o compromisso com a investigação, a valorização e a salvaguarda dos saberes e das técnicas relacionados a esse patrimônio.
“Este congresso tem um significado muito especial para nós. Além de ser a primeira edição realizada na Região Norte e a primeira em formato híbrido, ele celebra os 20 anos do nosso laboratório e reúne pesquisadores que são referências na nossa formação e na construção desse campo de conhecimento”, afirmou Thaís Sanjad, durante a abertura do evento.
Rede internacional de pesquisa – A trajetória do congresso começou a ser construída em 2011, com a articulação de pesquisadores brasileiros e portugueses. A primeira edição foi realizada em Vitória, em 2013; posteriormente, o encontro passou pelo Porto, em Portugal, em 2016; Salvador, em 2019; e Guimarães, em 2023.

Um dos fundadores do congresso, o professor Nelson Porto Ribeiro, ressaltou que a história da construção se consolidou como um campo essencialmente multidisciplinar, aproximando áreas como História, Arquitetura, Engenharia, Urbanismo e História da Arte.
Para o pesquisador, a continuidade do encontro e a incorporação de novas instituições e gerações demonstram a consolidação dessa rede científica. “Conseguimos algo talvez mais importante do que simplesmente organizar uma sucessão de eventos científicos. Conseguimos construir uma comunidade”, afirmou.
O professor Paulo Lourenço, da Universidade do Minho, em Portugal, também destacou a dimensão internacional e interdisciplinar do encontro. Segundo ele, estudar a história da construção permite compreender como se construía em determinado lugar e período, considerando materiais, técnicas, máquinas, organização do trabalho e a preservação do patrimônio em suas vertentes material e imaterial.
Presidente de honra do evento, o professor Mário Mendonça de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), relembrou sua relação com pesquisadores paraenses e sua trajetória dedicada à ciência da conservação. Em sua fala, ressaltou a importância do conhecimento dos materiais para compreender e preservar as construções e os bens culturais.
Amazônia e patrimônio – O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, relacionou o tema do congresso à própria atuação da Universidade, que mantém e utiliza diferentes edificações de interesse histórico em Belém e desenvolve pesquisas relacionadas à conservação do patrimônio.

O reitor destacou, ainda, a importância de aproximar o conhecimento produzido no congresso dos estudantes de graduação e pós-graduação. Para ele, a presença de jovens pesquisadores nesses espaços contribui também para a popularização da ciência e para a formação de novas gerações.
Gilmar Pereira da Silva chamou atenção, também, para as possibilidades de contribuição da Universidade para a preservação do Centro Histórico de Belém, por meio da articulação entre conhecimento científico, formação profissional e políticas de conservação.
“O patrimônio construído não é apenas testemunho do passado, ele integra a vida da cidade e nos desafia a articular ciência, formação profissional e políticas públicas para garantir sua preservação. Penso que, quando aproximamos pesquisadores reconhecidos, estudantes e jovens cientistas, também ajudamos a formar uma nova geração comprometida com a proteção e a transmissão desse patrimônio”, disse o reitor.
A vice-reitora Loiane Prado ressaltou que o encontro dialoga com a característica multidisciplinar da UFPA. “A Universidade se dedica a todas as áreas do conhecimento justamente para poder pensar a sociedade e o desenvolvimento da nossa região, e isso só se faz por meio de um conhecimento integrado, multidisciplinar”, afirmou.

Para a vice-reitora, as construções também permitem compreender dimensões que ultrapassam sua estrutura física, ao revelarem aspectos culturais, históricos, modos de vida e relações sociais.
5º CIHCLB – A conferência de abertura foi ministrada pela professora Beatriz Mugayar Kühl, da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora com atuação nos campos da história da arquitetura, conservação e restauração de bens culturais. A pesquisadora apresentou reflexões relacionadas à materialidade das obras e aos desafios contemporâneos da preservação.
Ao longo da programação, pesquisadores de diferentes instituições brasileiras e estrangeiras apresentaram estudos sobre história da construção, técnicas e materiais, patrimônio e conservação.
