Já imaginou ser selecionado(a) para estagiar em um superlaboratório reconhecido por contar com equipamentos como um dos maiores aceleradores de partículas do mundo? Essa é a história do estudante de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia Andrey Maciel, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Ele foi um dos 28 selecionados entre mais de mil inscritos, de todo o Brasil, para participar da 33ª edição do Programa de Bolsas de Verão (PBV) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
O CNPEM, órgão supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), selecionou estudantes universitários das áreas de Ciências Exatas e da Terra e de Ciências Biológicas e da Saúde oriundos de instituições localizadas em países da América Latina e do Caribe, para um estágio de 50 dias em um dos seus quatro laboratórios de ponta, em Campinas-SP.

Realizado pela primeira vez em 1993, o objetivo do programa é difundir ciência e estimular os jovens a seguirem carreiras científicas e de desenvolvimento tecnológico. Ao longo das suas 33 edições, o PBV já recebeu 507 estudantes e, este ano, conta com a presença do jovem Andrey Maciel, que também é integrante do Laboratório de Biologia Molecular (Labiomol/UFPA).
“O sentimento é de muita felicidade, orgulho e gratidão. Me sinto muito honrado em representar a Região Norte e a Universidade Federal do Pará em um programa dessa relevância. A UFPA tem um papel essencial na minha formação e participar do PBV reforça a importância da universidade pública e da valorização da ciência produzida na nossa região”, conta Andrey.
Como participante do programa, o jovem cientista está desenvolvendo um projeto de pesquisa sob orientação da professora especialista em Proteômica Adriana Paes Lemes e do doutor Nilson Coimbra. Os resultados serão apresentados na forma de seminários e de um relatório de pesquisa ao final da experiência. Um diferencial do Programa Bolsas de Verão é a imersão acadêmica e as trocas com os demais participantes, cada um de uma área diferente, com experiências e realidades distintas, o que torna as discussões ainda mais proveitosas.

“Participar do Programa Bolsas de Verão tem sido uma experiência muito significativa para o meu crescimento acadêmico e profissional. Estar inserido em um ambiente de pesquisa, especialmente na área da Bioinformática, me permite aplicar, na prática, conhecimentos que antes eu só via de forma mais teórica. Isso amplia minha visão sobre a ciência, fortalece minha formação e me ajuda a entender melhor o caminho que quero seguir profissionalmente”, garante Andrey, que completa: “Espero que minha participação ajude a dar visibilidade ao potencial dos estudantes do Norte e incentive outros alunos a buscarem oportunidades semelhantes”.
Proteômica para combater o câncer – Intitulado “Análise Proteogenômica de Neoisoformes Tumorais no Câncer Oral”, o projeto de Andrey mistura informática com biociência.
“Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), 80% dos cânceres de cabeça e pescoço são diagnosticados nos estágios três e quatro, quando já não há mais muito o que fazer, uma vez que as respostas a tratamentos imunoquímicos e radioterápicos são mínimas. A ideia do banco de dados que eu estou desenvolvendo é fazer um mapeamento proteômico para identificar o câncer de cabeça e pescoço ainda nos seus estágios iniciais, ou seja, detectar a doença mais rapidamente. Isso pode salvar a vida de muitos pacientes”, destaca o estudante.
As atividades desenvolvidas por Andrey no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, terão a duração de dois meses, sendo finalizadas no dia 27 de fevereiro de 2026. Para mais informações sobre os projetos desenvolvidos no programa, acesse a página do CNPEM.

