Laboratório da UFPA em Altamira une pesquisa, conservação e educação ambiental

No Campus Universitário de Altamira da Universidade Federal do Pará (UFPA), um laboratório vem se destacando por aliar ciência, conservação da biodiversidade e aproximação com a comunidade local. Coordenado pelo professor Leandro Sousa, o Laboratório de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingu (LAQUAX) desenvolve pesquisas voltadas à reprodução, ao manejo e à preservação de espécies nativas da bacia do Rio Xingu, muitas delas endêmicas e ameaçadas de extinção.

Embora o laboratório tenha sido institucionalizado nos últimos anos, o trabalho científico que hoje sustenta o espaço teve início ainda em 2011 no contexto dos debates e estudos ambientais relacionados à implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. À época, pesquisadores já realizavam monitoramentos sistemáticos da ictiofauna da região, acompanhando impactos ambientais e ciclos reprodutivos das espécies.

No âmbito dos Planos Básicos Ambientais (PBA), foram previstas condicionantes que incluíam tanto a catalogação da biodiversidade quanto o desenvolvimento de estudos reprodutivos de espécies impactadas. Hoje, o Laboratório de Ictiologia de Altamira (LIA) abriga uma coleção científica com quase 500 espécies de peixes da região devidamente catalogadas.

“A criação do laboratório foi resultado de uma longa articulação para garantir que essa estrutura ficasse na Universidade e não fosse desmontada após o fim do licenciamento ambiental”, explica o professor Leandro Sousa. “Foi um ganho enorme para a UFPA e para a região. Muitos laboratórios montados durante o licenciamento foram desmontados depois. Aqui, conseguimos garantir continuidade, produção científica e formação de pessoas”, destaca o coordenador.

Símbolo do Xingu –O LAQUAX domina técnicas de reprodução em aquários e tanques experimentais, com estudos sobre qualidade da água, alimentação e crescimento dos peixes. Os resultados têm sido publicados em artigos científicos e apresentados em eventos acadêmicos.

Entre as espécies estudadas no laboratório, uma se destaca. O acará-zebra, peixe ornamental endêmico do Rio Xingu. A espécie é reconhecida internacionalmente por sua coloração listrada em preto e branco, foi amplamente exportada a partir da década de 1980 e teve sua comercialização proibida em 2004 devido à sobrepesca e, mais recentemente, aos impactos ambientais na região. Atualmente, o acará-zebra é considerado criticamente ameaçado de extinção.

“O acará-zebra é um símbolo do Xingu. Ele só existe aqui e despertou interesse no mundo inteiro. Nosso trabalho é desenvolver protocolos científicos de reprodução em cativeiro para garantir a conservação da espécie e ampliar o conhecimento sobre sua biologia”, afirma Leandro Sousa.

Pesquisa com impacto social e ambiental – Além da conservação, os estudos desenvolvidos no laboratório têm impacto direto sobre as comunidades ribeirinhas. Um dos exemplos é a pesquisa sobre o papel dos pacus na dispersão de sementes de árvores do igapó, processo afetado pelas mudanças no regime de cheias do rio.

“Esse é um conhecimento que os ribeirinhos sempre tiveram, mas que agora conseguimos comprovar cientificamente. Quando a semente passa pelo trato digestivo do peixe, ela germina mais rápido. Isso ajuda a entender o que está mudando no ecossistema”, explica o professor.

Outro eixo das pesquisas envolve a aquicultura sustentável com o objetivo de viabilizar, no futuro, a criação de espécies nativas do Xingu em tanques-rede e viveiros escavados, evitando a introdução de peixes de outras regiões e reduzindo impactos ambientais.

Comunidade – Apaixonado por aquarismo desde a infância, Leandro Sousa percebeu a demanda da cidade por espaços de ciência acessíveis. Assim, parte do laboratório foi transformada em um aquário de visitação pública, por meio de um projeto de extensão.

O espaço abriga espécies como pacus, arraias, tucunarés e peixes ornamentais, todos da região do Xingu, com exceção pontual de espécies utilizadas para fins didáticos comparativos.

“Atendemos muitas escolas, principalmente da rede municipal. Vêm crianças muito pequenas e o espaço é uma forma de mostrar, muitas vezes, que esses peixes fazem parte da nossa riqueza natural, não apenas do prato”, relata.

O laboratório também é um importante espaço de formação acadêmica, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação da UFPA, além de bolsistas de iniciação científica e extensão. Há ainda uma parceria com o Instituto Federal do Pará (IFPA) e com a Universidade do Estado do Pará (UEPA).

A divulgação científica complementa esse trabalho por meio de redes sociais, onde o projeto compartilha vídeos, curiosidades e informações sobre os peixes do Xingu (perfil @ictioxingu no Instagram). “O principal objetivo é gerar conhecimento e difundir esse conhecimento. Quando a população conhece os peixes do rio, ela entende melhor os impactos ambientais e a importância da conservação”, resume o professor.

O Laboratório de Aquicultura de Peixes Ornamentais do Xingu funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial. A visitação é gratuita.

TEXTO: Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Alexandre de Moraes - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de QualidadeODS 12 - Consumo e Produção ResponsáveisODS 14 - Vida na Água

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