A Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA) apresenta, nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2026, o espetáculo “A Última Lambada”, produção autoral desenvolvida no contexto da disciplina Prática de Montagem dos Cursos de Cenografia, Figurino e do Curso Técnico em Intérprete-Criador em Dança. A obra integra o projeto de ensino Mostra Cênica ETDUFPA 2025–2028 e será encenada no Teatro Universitário Cláudio Barradas (TUCb).
Resultado de um processo investigativo e colaborativo, o espetáculo reúne estudantes das turmas do segundo ano dos cursos técnicos de Intérprete-Criador em Dança, Figurino e Cenografia. A montagem propõe um diálogo entre as linguagens da dança e do teatro para valorizar, enaltecer e celebrar a cultura popular do paraense, tendo a lambada como eixo central da narrativa.
A história acompanha Kalinda, uma jovem dançarina contemporânea que, movida pelo desejo de compreender suas origens, inicia uma jornada em busca de sua ancestralidade. Ao atravessar memórias e diferentes espaços simbólicos, a personagem descobre uma conexão profunda com a Rainha da Lambada dos anos 1980, estabelecendo um diálogo entre passado e presente. A narrativa aborda encontros e reencontros, a conexão entre almas por meio da dança e o amor que atravessa gerações.
Para a estudante Ana Carla Pamplona, do Curso Técnico em Dança-Intérprete-Criador, o espetáculo representa um reencontro com a própria identidade cultural. “A Última Lambada é um verdadeiro resgate das nossas raízes, porque a lambada não é apenas uma música, ela é memória, identidade e herança. Ao se reconectar com ela, a personagem entende que tradição não é algo que ficou para trás, mas sim algo que pulsa e continua vivo através de nós”, destaca.
“A inspiração para essa temática nasceu da necessidade de reafirmar quem somos e de reafirmar a lambada como patrimônio nosso aqui do Pará”, reflete a estudante ao pontuar a forma como define a responsabilidade de pessoas que trabalham com diferentes expressões artísticas no estado, reforçando a importância de reconhecer, valorizar e fomentar aquilo que parte da própria terra. “Poder dialogar com essas referências com a nossa própria identidade e poder misturar as nossas pesquisas de dentro de sala de aula com a memória do nosso povo tem sido muito transformador. Sem dúvidas, esse encontro potencializou nosso espetáculo e deu a ele não só estética, mas também um propósito muito maior”, comenta.
De acordo com a docente Larissa Chaves, uma das orientadoras da montagem, a proposta evidencia a proximidade entre dança e teatro enquanto campos das artes cênicas. “Compartilhamos a cena, o corpo exposto, a construção de uma dramaturgia. Neste espetáculo, temos coreografias elaboradas, mas também temos o corpo que dá o texto, as interações gestuais. É uma obra que passeia pelas duas linguagens”, explica.
A direção é compartilhada pelas professoras Larissa Chaves e Erika Gomes, responsáveis pela orientação coreográfica, e por Ézia Neves, na orientação de figurino e cenografia. O processo envolve a integração de três formações distintas em um trabalho coletivo, no qual os estudantes do segundo ano assumem o papel de propositores da obra, desde a concepção coreográfica até a criação de figurinos e cenários. “Essa proposição parte dos estudantes, porque esse é um espetáculo montado por eles e são eles que assumem a função de serem os propositores da obra, tanto na parte coreográfica e cenográfica, quanto na parte do figurino. Então, esse diálogo entre dança e teatro partiu deles, muitos inclusive trazem experiências teatrais anteriores, e isso acaba tocando na composição da obra desse ano”, aponta a professora, reconhecendo o protagonismo estudantil.
O espetáculo é resultado direto da disciplina Prática de Montagem e simboliza o amadurecimento artístico dos discentes. “É um convite a todos que apreciam a dança, o teatro e a música, especialmente as nossas músicas regionais. Tivemos a oportunidade de estudar grandes mestres que marcaram a história da lambada, como Pinduca e Vieira, além de dialogar com referências musicais que influenciaram esse gênero, como a cumbia, o merengue e o carimbó”, afirma a professora Erika Gomes,
A estética da montagem remete às pistas e festividades que marcaram a era da lambada, evocando esse universo por meio de elementos sonoros, figurinos e cenários concebidos pelos próprios estudantes. O espetáculo também apresenta momentos cômicos e histórias de amor e família, ampliando o alcance para diferentes faixas etárias. “O espetáculo também traz momentos de muita alegria e diversão, então, ele também é aberto às crianças e à família como um todo”, convida a docente.
O espetáculo ocorre no Teatro Universitário Cláudio Barradas (TUCb), entre nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2026 (sábado e domingo), nos horários de 18h e 20h. Os ingressos custam R$20 (inteira) e R$10 (meia), e devem ser adquiridos na bilheteria do teatro 1 hora antes de cada sessão.