A Universidade Federal do Pará (UFPA) encerrou sua participação no I Fórum de Reitores Brasil-África, realizado em Brasília (DF), de 25 a 27 de maio de 2026, com um feito histórico: a assinatura de 23 acordos internacionais de cooperação acadêmica com instituições de ensino superior de 13 países africanos. O resultado consolida a universidade como uma das principais referências nacionais em internacionalização universitária voltada à cooperação Sul-Sul e fortalece o protagonismo da Amazônia no cenário global da produção científica, da inovação e da diplomacia acadêmica.
O reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira da Silva, participou da programação acompanhado pelo diretor de Acordos Internacionais da Universidade, professor José Augusto Lacerda, e por Israël Hounsou, da Pró-Reitoria de Relações Internacionais (Prointer). A comitiva atuou diretamente nas articulações institucionais e na construção das novas parcerias acadêmicas firmadas durante o evento.
Realizado em alusão ao Dia da África, o fórum reuniu reitores brasileiros e africanos, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ressaltou a força transformadora da educação pública ao defender que investir em universidades significa investir no futuro, na soberania e no desenvolvimento das nações.

Para o reitor Gilmar Pereira da Silva, o resultado alcançado representa um novo momento para a UFPA. “Esses 23 acordos representam muito mais do que a ampliação de convênios. Estamos consolidando uma rede internacional de cooperação construída a partir da Amazônia, conectando nossos pesquisadores, estudantes e programas de pós-graduação a instituições africanas que compartilham desafios, potencialidades e perspectivas de desenvolvimento semelhantes às nossas”, destacou.

As novas parcerias irão ampliar programas de mobilidade acadêmica, intercâmbio estudantil e docente, pesquisas conjuntas, produção científica internacional e iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à bioeconomia, à inovação e à formação avançada de pesquisadores.
Internacionalização consolidada – A aproximação entre a UFPA e universidades africanas já é uma realidade consolidada dentro da instituição. Somente em 2026, a universidade recebeu 48 estudantes internacionais, sendo 39 oriundos da África continental e insular – o equivalente a 81,25% do total de egressos de outros países. A presença acadêmica africana reúne estudantes de países como Benin, Cabo Verde, Camarões, Gabão, Guiné-Bissau, Quênia, República Democrática do Congo, República do Congo, São Tomé e Príncipe, Tanzânia e Togo.
Atualmente, a UFPA possui cerca de 500 estudantes internacionais vinculados a cursos de graduação e pós-graduação, transformando os campi em um espaço permanente de intercâmbio cultural, científico e linguístico entre a Amazônia e os continentes americano, europeu, asiático e africano.

Segundo o reitor, a consolidação dessas conexões internacionais fortalece a missão pública e social da universidade amazônica. “A UFPA vive hoje um dos maiores saltos de internacionalização de sua história. A aproximação entre Amazônia e África, mas também com países, como França, Portugal, Estados Unidos e Canadá, fortalece não apenas a produção do conhecimento, mas também laços históricos, culturais e humanos entre todos os povos”, afirmou.
Capes Global – O avanço da UFPA no cenário internacional ganha ainda mais força com a recente conquista da universidade no Programa Redes para Internacionalização Institucional (Capes Global). A instituição conquistou posição de destaque nacional ao alcançar o segundo lugar geral entre os projetos aprovados e liderar a proposta Rede Amazônia Global, considerada uma das iniciativas estratégicas mais importantes do país voltadas à internacionalização da pós-graduação amazônica.
Coordenada pela UFPA, a rede reúne 98 programas de pós-graduação e articula universidades de diferentes regiões do Brasil em torno de cinco eixos estratégicos ligados à Amazônia, incluindo saúde planetária, biodiversidade, bioeconomia, transição energética e direitos humanos.
Os recursos captados pelo programa permitirão ampliar ações de mobilidade internacional, formação de pesquisadores, missões acadêmicas, pesquisas colaborativas e redes científicas globais, fortalecendo a inserção internacional da produção científica amazônica.
“O Capes Global será fundamental para transformar esses acordos em ações concretas. Estamos criando oportunidades reais para que estudantes amazônidas possam vivenciar experiências acadêmicas em outros países e, ao mesmo tempo, ampliar o acolhimento de pesquisadores internacionais em nossa universidade”, ressaltou Gilmar Pereira.
Ao encerrar sua participação no fórum, a comitiva da UFPA retornou ao estado com a perspectiva de consolidar uma ampla rede internacional de cooperação acadêmica entre Amazônia e África, ampliando a inserção global da universidade pública amazônica e fortalecendo a produção compartilhada de conhecimento entre países do Sul Global.


Lista de acordos firmados pela UFPA com instituições africanas:
Angola: Universidade Lusíada de Angola
Burkina Faso: Universidade Yembila Abdoulaye Toguyeni
Camarões: Institut Supérieur du Septentrion de Garoua (ISSEG), Biaka University Institute of Buea (BUIB), Professional Higher Institute of Business Management and Technology (PHIBMAT), Institut Supérieur des Sciences de Technologie de Management et de Développement Durable (ISSTMADD), Institut Universitaire des Grandes Écoles des Tropiques (IUGET)
Egito: The Egyptian e-Learning University
Guiné: Institut Supérieur des Sciences et de Médecine Vétérinaire (ISSMV) de Dalaba, L’Institut Supérieur Agronomique et Vétérinaire de Faranah, Universidade de Kindia
Guiné-Bissau: Universidade Católica da Guiné-Bissau
Moçambique: Universidade Pedagógica de Maputo
República Centro-Africana: Universidade de Bangui
República Democrática do Congo: Universidade de Lubumbashi
Ruanda: University of Rwanda, Rwanda Polytechnic
São Tomé e Príncipe: Universidade de São Tomé e Príncipe
Tanzânia: Universidade de Dodoma
Togo: IAEC (Institut Africain d’Administration et d’Etude Commerciale), Universidade de Kara, Universidade de Lomé, CÈPES