UFPA transforma garrafas PET em filamento para impressão 3D

A poluição por plásticos está entre os maiores desafios ambientais do planeta, com milhões de toneladas de resíduos descartados inadequadamente em rios e oceanos todos os anos. Diante desse cenário, a tecnologia pode contribuir para a criação de soluções práticas e sustentáveis. Na Universidade Federal do Pará (UFPA), pesquisadores desenvolveram um equipamento capaz de reciclar garrafas PET usadas, transformando-as em filamento para impressão 3D. 

​A iniciativa, liderada pelo professor Wellington Fonseca, da UFPA, foi apresentada ao público durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorreu na última semana, em Niterói, no Rio de Janeiro. O projeto destaca a contribuição da pesquisa científica na Amazônia para o desenvolvimento de soluções com impactos ambientais, tecnológicos e sociais em escala nacional. 

Fotografia registra um grupo de pessoas sob uma tenda. De um lado, uma homem e uma mulher falam e gesticulam.

A tecnologia funciona de forma simples e eficiente: as garrafas PET são cortadas em fitas, aquecidas a 215 °C no equipamento e transformadas em filamento plástico. O material pode ser utilizado em impressoras 3D para produzir diversos objetos, desde utensílios até materiais educativos. 

​Para o professor Wellington Fonseca, a participação na SBPC foi uma vitrine para mostrar o potencial científico e a capacidade de inovação produzida no Norte do país.

​”Apresentar essa tecnologia na SBPC é uma oportunidade de mostrar a força da ciência produzida na Amazônia por amazônidas. Conseguimos provar que a inovação desenvolvida dentro da UFPA não apenas responde aos desafios ecológicos locais, mas também entrega soluções tecnológicas acessíveis e de alto impacto para todo o Brasil. Na impressão 3D, a imaginação é o limite, e usar um resíduo como o PET para dar vida a novas ideias é unir preservação ambiental e futuro”, destaca o professor.

Fotografia registra o professor Wellington manuseando garrafas pets, em uma máquina.

Impacto social e parceria interinstitucional – ​A iniciativa também ultrapassa os laboratórios da UFPA. Em parceria com a professora Angélica Di Maio, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a tecnologia passou a integrar o Projeto Promares, voltado à proteção e à sustentabilidade dos ecossistemas marinhos e costeiros. 

​Como parte dessa colaboração, a equipe coordenada pelo professor Wellington Fonseca construiu e entregou um equipamento destinado às ações desenvolvidas pela UFF. No Rio de Janeiro, a máquina vem sendo utilizada em atividades de capacitação e inclusão social com mulheres e jovens da Associação de Mulheres e Meninas da Comunidade da Mangueira. 

O projeto coloca em prática os princípios da economia circular ao reaproveitar resíduos plásticos, disseminar conhecimento tecnológico, estimular a economia criativa e capacitar comunidades em situação de vulnerabilidade. Construindo por meio da reciclagem e da impressão 3D, novas oportunidades de geração de renda. 

Ao integrar sustentabilidade, inclusão social e geração de renda, a tecnologia desenvolvida pela UFPA para a reciclagem de garrafas PET destaca-se como uma iniciativa de tecnologia social brasileira e demonstra o potencial da ciência produzida na Amazônia para transformar realidades em diferentes regiões do país.

TEXTO: Divulgação Movimento Ciência e Vozes da Amazônia

FOTOS: Divulgação Movimento Ciência e Vozes da Amazônia

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de QualidadeODS 9 - Indústria, Inovação e InfraestruturaODS 13 - Ação Contra a Mudança Global do ClimaODS 17 - Parcerias e Meios de Implementação

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