Para ampliar a conscientização sobre saúde e fortalecer a capacitação de profissionais para o combate de doenças mais suscetíveis às populações vulneráveis da região de Altamira, a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Altamira, criou, em 2025, um novo projeto de extensão, o “Saberes e Saúde Indígena: formação continuada e tecnologias de comunicação para o cuidado integral de povos originários”. Voltado ao entendimento das especificidades étnicas e culturais e aos direitos territoriais dos povos, o projeto realiza suas ações alinhadas às diretrizes da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Pnaspi), construindo pontes entre a Medicina tradicional e o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS).
Para as populações indígenas, o desenvolvimento das doenças tropicais negligenciadas (DTNs) apresenta um maior risco à saúde e um tratamento ainda mais delicado, direcionado aos grupos. Nesse contexto, a iniciativa atua na qualificação de profissionais das áreas da saúde e educação que realizam atendimentos no Distrito Sanitário Especial Indígena Altamira (DSEI-Altamira), localizado no 10º Centro Regional de Saúde do estado do Pará. O foco de atendimento está, principalmente, entre os povos Arara, Assurini, Kuruaya, Juruna, Kayapó, Parakanã, Xikrin, Araweté e Xipaia, que apresentam maior vulnerabilidade à exposição das doenças.

Entre as principais ações, estão as oficinas destinadas às Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (Emsi), com foco nos sete agravos de maior incidência no território do DSEI-Altamira: arboviroses, malária, doença de Chagas, leishmaniose tegumentar americana (LTA), leishmaniose visceral (LV), hanseníase e tuberculose, além do desenvolvimento de materiais educativos distribuídos nas redes sociais do projeto em relação às doenças tropicais negligenciadas (DTN).
As atividades buscam ampliar os conhecimentos dos profissionais e contribuir para o fortalecimento das estratégias de cuidado e atenção à saúde das populações indígenas, além de abrangerem também a capacitação sobre doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão. “É fundamental promover intervenções em saúde que envolvam, ativamente, as comunidades locais. Estratégias e ferramentas de apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS) são essenciais, especialmente aquelas voltadas para o fortalecimento dos recursos humanos. A adoção de ações integradas contribui para melhorias na saúde humana, animal e ambiental, consolidando o conceito de Saúde Única (One Health)”, comenta a professora Tracy Martina, coordenadora do projeto.
A qualificação é gratuita e aberta a qualquer profissional da área da saúde, incluindo professores. O projeto também recebe estudantes do AfirmaSUS para capacitação, fortalecendo a parceria e o desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o avanço científico.
Mais informações sobre as ações do projeto e inscrições podem ser acessadas pelo perfil no Instagram ou pelo canal do YouTube da iniciativa.


