Detalhes da Banca

Subunidade:

Autor(a):
Maryanne de Souza Tavares

Orientador(a):
Wanessa Pires Lott

Membros da Banca:

Presidente: Profa. Dra. Wanessa Pires Lott (UFPA)
Membro interno: Profa. Dra. Sue Anne Regina Ferreira de Costa (UFPA)
Membro externo: Prof. Dr. Leandro Eustaquio Gomes (UFVJM)

Resumo:

O estudo tem como objetivo problematizar a relação entre Patrimônio Cultural e as mudanças climáticas, por meio da construção das memórias e identidades da Encantaria em Soure, Marajó-PA. Sendo uma prática pertencente a amálgama entre religiões de matriz afroindígena a Encantaria apesar de ter suas ações majoritariamente de caráter imaterial – por se tratar de interações com seres que não estão no plano físico, mas sim nas regiões de encante – também se expressa na materialidade pela forte ligação com natureza seja pelo uso de insumos naturais como ervas, plantas, animais ou parte deles e até mesmo o território associados ao uso sustentável, sendo resultados das tradições orais, memórias e identidades dessas comunidades. Por outro lado, com a atual crise político-climática esse patrimônio se encontra vulnerável, visto que o Brasil ao longo dos últimos (des)governos foi palco de várias atrocidades ambientais, seja pelo incentivo ao desmatamento, a mineração, a utilização desenfreada de agrotóxicos, ao afrouxamento de leis ambientais e ao encorajamento de invasões a territórios de conservação e preservação, e ao cerceamento de direitos não só de povos e comunidades tradicionais como também a classe proletária. Consequentemente, tais ações trazem impactos às comunidades, que atualmente já enfrentam dificuldades na obtenção dos insumos necessários para os rituais e dificuldade na sua reprodução cultural. Dessa forma, é notório que a independência proclamada em 1988 extinguiu o colonialismo, mas incentivou a colonialidade – marcas deixadas pelos séculos de colonização que normalizam e perpetuam atrocidades até se tornar algo cotidiano como as citadas acima – que são reforçadas pelos mercados liberais e a economia capitalista. Portanto, é necessário desconstruir as fissuras coloniais dando ênfase a questões da ecologia incorporando as diversidades e pluralidade das formas de vida, sendo evidente a importância da salvaguarda da Encantaria enquanto patrimônio para manter a memória e a identidade desses grupos através das histórias orais, o repasse de saberes ancestrais e das práticas. A metodologia para o desenvolvimento do trabalho será a pesquisa bibliográfica para que, posteriormente, sejam realizadas entrevistas com a comunidade local que vivencia a Encantaria.

Palavras-chave: Patrimônio, Decolonial, Encantaria, Amazônia

Relação com os ODS da ONU:

ODS 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis

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