Chuvas aumentam visibilidade de animais silvestres e reforçam importância de orientação

Com a intensificação das chuvas na região amazônica, é comum que animais silvestres, como serpentes, se tornem mais visíveis em áreas urbanas e periurbanas. O aumento do nível da água, as mudanças no habitat e a busca por abrigo fazem com que esses animais circulem por diferentes ambientes, o que exige atenção e cuidados simples no dia a dia.

Nesse contexto, a informação é a principal aliada para evitar incidentes. Entre as recomendações estão evitar qualquer tipo de aproximação ou tentativa de captura, manter distância ao encontrar um animal e acionar os serviços responsáveis. Dentro da UFPA, o atendimento pode ser realizado pelo Programa de Extensão CONVIVA. Já em residências, o indicado é entrar em contato com o Batalhão de Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros.

Medidas preventivas também ajudam a reduzir o risco de incidentes, especialmente durante o período chuvoso, como manter áreas limpas e sem entulho, evitar acúmulo de lixo, utilizar calçados fechados e usar lanternas ao caminhar em locais com pouca iluminação.

Segundo a coordenadora do CONVIVA, professora Maria Cristina dos Santos Costa, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), o aumento de registros nesse período está relacionado à maior visibilidade desses animais. “As serpentes habitam esses ambientes o ano inteiro, mas, durante o período chuvoso, acabam saindo de seus abrigos em busca de locais mais secos, o que aumenta a possibilidade de serem vistas”, explica.

Atuação no campus Guamá – Diante desse cenário, iniciativas como o Programa de Extensão CONVIVA tornam-se fundamentais para promover a convivência segura entre pessoas e animais silvestres. Criado em março de 2021, o programa consolidou-se como uma iniciativa institucional vinculada ao Laboratório de Ecologia e Zoologia de Vertebrados (LABEV).

A atuação do CONVIVA envolve o monitoramento sistemático da fauna no campus, além do atendimento a ocorrências registradas pela comunidade universitária. A partir desses chamados, a equipe realiza a identificação das espécies, orienta a população e, quando necessário, faz o resgate dos animais.

“Quando o animal está em uma área de grande circulação, como salas, passarelas ou escritórios, fazemos o resgate, avaliamos o estado de saúde e, se estiver saudável, soltamos em uma área mais afastada e segura dentro da própria Universidade”, detalha a coordenadora.

Caso o animal esteja ferido, ele é encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (CETRAS), na Universidade Rural da Amazônia (UFRA), sob coordenação da médica veterinária Ana Sílvia Sardinha Ribeiro. Já serpentes peçonhentas podem ser destinadas a projetos de pesquisa em parceria com o LABEV, o Campus Soure da UFPA e o Instituto Butantã.

Trabalho coletivo e interdisciplinar – O CONVIVA é sustentado por uma estrutura ampla e colaborativa. Além da coordenação da professora Maria Cristina, o programa conta com a atuação de docentes como Gleomar Fabiano Maschio e Ana Cristina Mendes de Oliveira, além de estudantes de graduação e pós-graduação.

A equipe também inclui bolsistas de programas institucionais, como PIBEX e PIBIC, estagiários voluntários e colaboradores externos, acionados conforme a necessidade, especialmente em demandas técnicas como a identificação de espécies.

“O CONVIVA possui uma equipe bem grande e todos agregam diferentes saberes em prol de um objetivo comum: a conservação da fauna no ambiente universitário”, destaca a docente.

Fauna no campus e importância ecológica – Até o momento, o programa já identificou 18 espécies de serpentes no campus da UFPA. Dentre elas, apenas duas peçonhentas: a coral, com registro raro, e a jararaca, observada com maior frequência.

Outras espécies comuns na região, como cobras-d’água e sucuris, não possuem peçonha e desempenham papel importante no equilíbrio ambiental, ressalta a professora. “A sucuri, por exemplo, é um animal inofensivo e extremamente importante para o controle de roedores”.

Educação ambiental e prevenção – A educação ambiental é um dos pilares do CONVIVA, com ações de divulgação científica realizadas tanto nas redes sociais quanto em atividades presenciais. Por meio do projeto “Universidade Além dos Portões”, a equipe leva informações sobre fauna e conservação para escolas, parques e outros espaços públicos.

O programa também organiza anualmente a “ExpoBio”, evento gratuito que reúne grupos de pesquisa e instituições para apresentar estudos sobre a biodiversidade de forma acessível.

Leia mais:

TEXTO: Tahís Cristine - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

Relação com os ODS da ONU:

ODS 15 - Vida Terrestre

Leia também

Compartilhe

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email
Print
Pular para o conteúdo