Dira Paes debate cinema, identidade e Amazônia em aula magna para estudantes da UFPA

Em sua primeira agenda pública como doutora honoris causa da Universidade Federal do Pará (UFPA), a atriz Dira Paes ministrou uma Aula Magna para estudantes de Cinema e Audiovisual da instituição. O evento, realizado na tarde de quinta-feira, 7 de maio, no auditório do Mercedários, reuniu uma plateia formada por jovens estudantes, familiares e antigos companheiros de profissão da homenageada.

Antes de iniciar a aula, a artista agradeceu a presença de cada pessoa e reconheceu o significado do encontro para sua trajetória pessoal e profissional. “O cinema é o lugar onde me encontrei, onde encontrei o Pará e onde aprendi que contar histórias é um ato de resistência e pertencimento. Me sinto muito à vontade aqui com vocês”, disse.

Intitulada “Dira Paes, minha vida: O Cinema como Identidade, Território e Memória”, a aula propôs uma imersão na trajetória da atriz como fio condutor para uma reflexão crítica sobre o cinema enquanto linguagem artística e ato político. A experiência de Dira foi usada como ponto de partida para discutir a construção da imagem do Brasil e, em especial, as múltiplas camadas de representação da Amazônia nas telas.

O encontro percorreu cinco eixos temáticos centrais. O primeiro tratou do cinema como espelho e memória, revisitando a trajetória de Dira Paes em paralelo à evolução do audiovisual brasileiro. Em seguida, a discussão se voltou para a estética e a política do olhar amazônico, com ênfase na superação de estereótipos e na construção de narrativas de pertencimento. O terceiro eixo abordou o ofício da atuação em seus aspectos de criação, sensibilidade e ética no set de filmagem. A relação entre espaço geográfico e construção de personagens foi explorada no tópico sobre território e identidade. Por fim, a aula se encerrou com uma reflexão sobre futuros possíveis, lançando desafios e provocações à nova geração de realizadores audiovisuais diante do mercado contemporâneo.

O evento contou com 160 vagas e foi aberto a estudantes de artes, cinema, comunicação e humanidades, além de realizadores audiovisuais, pesquisadores e a comunidade cultural em geral.

Honoris causa – A concessão da honraria à Dira Paes foi aprovada de forma unânime pelo Conselho Universitário (Consun), instância máxima deliberativa da UFPA. Na proposta encaminhada pelo curso de Cinema e Audiovisual, da Faculdade de Artes Visuais (FAV), evidencia-se a relevância da trajetória da atriz nos âmbitos artístico e cultural, reconhecendo Dira Paes como agente comprometida com diversas questões que permeiam a contemporaneidade.

A artista construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma carreira de projeção nacional e internacional, com atuação no cinema, televisão e teatro. Abaetetubense, Dira Paes é destaque por sua contribuição à valorização das identidades amazônicas e por sua atuação em defesa das populações tradicionais, da proteção ambiental e dos direitos humanos. Além disso, a presença da atriz em produções audiovisuais brasileiras tem contribuído para ampliar as representações da Amazônia, sobretudo ao quebrar os estereótipos relacionados à região.

Trajetória – Nascida em Abaetetuba, Dira Paes construiu uma filmografia de 44 longas-metragens, consolidando-se como uma das atrizes mais premiadas e respeitadas de sua geração.

No cinema, destacam-se personagens e produções que atravessam décadas: Corisco e Dadá (1996), Amarelo Manga (2002), Dois Filhos de Francisco (2004), Ó Paí Ó (2007), Divino Amor (2019) e, mais recentemente, Pureza (2020) – pelo qual recebeu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz em 2023 – e Manas (2024), de Marianna Brennand. Em 2024, estreou também como roteirista e diretora com Pasárgada, seu primeiro longa de autoria própria.

Na televisão, são personagens que entraram para a memória afetiva do público brasileiro: a Solineuza de A Diarista, a Norminha de Caminho das Índias, a icônica Filó de Pantanal (2022) e a recente Conceição da série Pablo & Luisão – pela qual foi eleita Melhor Atriz de Série no Melhores do Ano do Domingão da Globo, em 2025. Atualmente está no ar com Três Graças no horário nobre da TV Globo.

No teatro, participou de oito espetáculos ao lado de nomes como Amir Haddad, Sérgio Mamberti e Roberto Bomtempo, afirmando-se como atriz de formação sólida em múltiplos registros.

Premiação, ativismo e produção cultural – Ao longo da carreira, Dira Paes acumula mais de 40 prêmios e indicações, incluindo três troféus Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – o Grande Otelo – de Melhor Atriz, além de reconhecimentos em festivais nacionais e internacionais como Gramado, Brasília, Vitória, Paris, Seattle e Itália. Em 2017, recebeu o Prêmio Oscarito pelo Conjunto da Obra no 43º Festival de Gramado.

Para além do trabalho artístico, Dira Paes é ativista pelos direitos humanos, sendo uma das dirigentes do Movimento Humanos por Direitos. Também é produtora cultural: foi fundadora e coordenadora do Festival de Belém do Cinema Brasileiro (2004–2010), evento que ajudou a consolidar Belém como polo de cinema na Amazônia.

TEXTO: Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Alexandre de Moraes - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

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