A Editora da Universidade Federal do Pará (ed.ufpa) recebeu a escritora Valeska Zanello como convidada do seu estande na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém. Doutora em Psicologia, pesquisadora e professora da Universidade de Brasília (UnB), Zanello é autora dos títulos: Scripts Culturais, Gênero e Emoções – Volume 1: Problematizando “Gênero” (2025); Saúde Mental, Gênero e Dispositivos (2018) e A Prateleira do Amor: sobre mulheres, homens e relações (2023), todos pela editora Appris.
Os três livros discutem temáticas relativas aos feminismos e às relações de gênero na sociedade brasileira, mas cada um dentro de uma linha de abordagem específica. Marca registrada em todas as obras é a linguagem acessível para todo tipo de público leitor, do regular ao acadêmico. Prateleiras do Amor, por exemplo, tem a proposta de furar a bolha da Universidade e levar conhecimento científico para promover letramento de gênero à população em geral, lembrando que o tema da violência contra mulheres é um tema que toca a saúde pública e diz respeito à coletividade. Já o Scripts culturais, gêneros e emoções reflete sobre a relação emoção e gênero, a partir da compreensão de que as emoções não são universais, mas sim atravessadas por aprendizagens culturais relacionadas à formação de gênero.
Além desses, a autora trouxe para venda livros com tirinhas em quadrinhos, cuja proposta é aproximar ainda mais do público comum os conceitos discutidos e originados em mais de oito anos de atuação em pesquisa. Foram disponibilizados dois títulos de uma trilogia em quadrinhos, sendo eles Masculinidades e dispositivo da eficácia (2025) e Prateleiras do Amor e dispositivo amoroso (2026). O terceiro será sobre o dispositivo materno, também em tirinhas, e está previsto para 2027. “Belém é um lugar para o qual eu sempre retorno”, afirma a escritora.
Para a diretora da ed.ufpa, Sílvia Benchimol, receber a psicóloga e acadêmica da UnB é muito significativo devido à abrangência e ao alcance da obra dela em termos sociais e pela importância de se falar da saúde mental feminina no contexto da sociedade atual. “Em todas as situações em que ela se apresenta publicamente, há um público grande de mulheres, o que revela uma conscientização em torno dessas questões. Isso enriquece muito nosso âmbito de circulação de informação e da divulgação científica”, observa.




Interlocução – A visita de Zanello, realizada na última quinta-feira, 3, também vem da novidade implementada este ano pela editora para abrir as portas do estande da Universidade para autores que têm títulos publicados por outras editoras. “A ideia foi abrir nosso espaço para que escritores pudessem divulgar suas obras, interagir com o público e assinar autógrafos. Tivemos repercussão além do esperado, de maneira que buscaremos manter esse movimento, pois, mais do que aumentar as vendas, esse diálogo é o que intensifica e diversifica a nossa programação, se unindo com o objetivo da universidade pública, que é o de fomentar a cultura”, explica Benchimol.
No meio do público que compareceu ao lançamento, a professora da Educação Básica e estudante de Psicologia, Vanda Amin revelou que poder interagir com uma de suas referências bibliográficas foi gratificante. “Conheci a obra porque uma professora mencionou os estudos de gênero da Zanello e, então, busquei me aprofundar na discussão sobre as mulheres, as quais, no patriarcado capitalista, vivenciam a violência masculina, tanto estatal (pública), quanto na relação entre sujeitos (privada). É a partir desse contexto que faço minha própria pesquisa”, revela.
Já a psicóloga clínica na área de Análise Comportamental Sabrina Farias participou e gostou da visita por poder conversar com a autora e receber uma dica de como usar materiais, como o das tirinhas, em sua rotina profissional. A dica foi deixar os livros com quadrinhos disponíveis na recepção da clínica, porque é uma forma de as pessoas terem acesso rápido a certas ideias que, inclusive, podem refletir em terapia. Há 4 anos atendendo ao público infantil, a jovens e adultos, a analista trabalha especialmente com mulheres neurodivergentes, que, muitas vezes, não compreendem certas situações de violência nas quais estão inseridas, sendo que, para ela, atuar na psicoeducação se faz primordial. “Essa acessibilidade do conteúdo científico das pesquisas é fundamental, conversa muito com a ideia de difusão de conhecimento que é próprio da Universidade”, opina.


Preparação – Para estar presente na Feira Pan-Amazônica do Livro, a preparação da ed.ufpa é de um ano inteiro. Existe todo um processo de criação e de escolha de uma temática. Este ano, o estande tem internamente a temática relacionada ao livro de lançamento da ed.ufpa sobre O grupo dos novos: memórias literárias no Pará, da professora Marinilce Coelho. Então, todo o aspecto interno do estande está com a adesivagem criada dentro da editora, no mesmo padrão de designer do livro, fazendo referência a essa obra.
Externamente, a editora homenageia o patrimônio histórico, sua preservação e restauro. “Para isso, elegemos como referência a casa da UFPA, que é o Mercedários, onde também está instalada a livraria universitária, sendo que suas portas e janelas estão reproduzidas na arte gráfica que aparece ao lado do estande”, conta a diretora Sílvia Benchimol. Fez-se, assim, um link simbólico que associa a memória com a literatura e patrimônio físico da cidade.
A obra O grupo dos novos faz o recorte sobre o modernismo na literatura paraense entre os anos de 1946 e 1952, e se refere ao movimento de cultura mesmo, bem como isso reflete no conceito do que era mais tradicional na poesia para uma poesia mais criativa, mais renovada, mais local, de autores muito importantes e proeminentes na história literária paraense, a exemplo de autores como Max Martins, Benedito Nunes, Bruno de Menezes, entre outros.


Diversidade – A editora universitária traz para a Feira, em 2026, um acervo bem diversificado, com mais de 4 mil obras, a fim de atender a um público eclético. “Junto aos clássicos da literatura amazônida, temos nas prateleiras, por exemplo, as edições de Max Martins, autor paraense que comemora centenário este ano. A coleção de obras dele, um total de 11 títulos, está em destaque e com desconto. Mas aqui a gente tem também literatura nacional e internacional, desde a mais clássica até a acadêmica. As pautas são atuais, como as de questões de gênero, bem como temas sobre a Amazônia e de áreas disciplinares específicas, tentando atender à diversidade do público que nos visita”, sintetiza Benchimol.
A editora oferece ainda preços promocionais em todos os livros disponíveis no estande. Em 2026, os descontos variam de 20% a 40% para títulos próprios e de editoras parceiras e chegam a 50% em títulos selecionados. Alguns estão disponíveis pelo valor de até R$ 5. A ed.ufpa também aceita o CredLeitura, que prevê a concessão de bônus financeiro a professores da rede pública estadual para a aquisição de livros durante a Feira.
A programação de lançamentos segue até o encerramento da Feira Pan-Amazônica do Livro, no domingo, 6 de setembro. Para conferir a programação completa, acesse o perfil da ed.ufpa.