A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (FAU/UFPA) promove, até o dia 26 de fevereiro, uma exposição de banners sobre a arquitetura moderna em Belém e a importância desta vertente para a região amazônica, ao longo do século XX. A mostra é aberta à comunidade acadêmica e ao público em geral e está disponível para visitação no hall da FAU, das 9h às 18h.
A exposição reúne os resultados das pesquisas feitas para a disciplina Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo VI, ministrada pela professora Celma Chaves. De acordo com a docente, os estudos foram elaborados pelos(as) discentes de Arquitetura e Urbanismo, com base nos projetos originais de casas modernas dos anos 1950 e 1960, assinados pelo engenheiro e arquiteto belenense Camillo Porto de Oliveira.

“Pode-se apreciar na exposição as análises dos alunos com base nos projetos originais e redesenhos desenvolvidos por eles, além de fotografias de casas que ainda permanecem e aquelas já desaparecidas ou bastante alteradas. O estudo se fundamenta em autores locais e não locais que estudam a produção da Arquitetura Moderna”, destaca a docente.
Os projetos analisados foram doados, em 2018, pelo ex-sócio do arquiteto, Antônio Couceiro, ao Laboratório de Historiografia da Arquitetura e Cultura Arquitetônica (Lahca), referência regional em estudos e publicações sobre arquitetura moderna na Amazônia. Sob a coordenação da professora Celma Chaves, o Lahca possui um acervo relevante de projetos sobre a arquitetura moderna de Belém, além de ser pioneiro nas pesquisas sobre este estilo arquitetônico.
Presente e passado – Foram estudadas, ao longo da disciplina, 11 casas modernas que estão — ou estiveram — localizadas em diversas áreas da capital paraense, como a Casa Bittencourt, situada na Avenida Almirante Barroso. Além disso, as pesquisas destacam que a maioria dos projetos desse período foi encomendada por homens e, por isso, apenas duas possuem nomes femininos, como a Casa Maria Deolinda, a qual, um dia, foi localizada na Travessa Quintino Bocaiúva.
Outro apontamento feito pelas pesquisas é a preocupação de Camillo Porto em adotar soluções que se adequassem à realidade climática local, questão, hoje, imprescindível em decorrência da crise climática que o planeta vive.
“A arquitetura residencial moderna em Belém apresenta um interessante acervo que, infelizmente, já foi bastante empobrecido por demolições e alterações que impactam o conhecimento dessas obras pela sociedade”, comenta a professora Celma Chaves.
Ela evidencia, ainda, que é fundamental a realização de trabalhos que possam destacar essas casas, bem como os atributos arquitetônicos, as histórias de seus(as) autores(as) e clientes, e a relevância das construções para a história da cidade, no objetivo de que a população as conheça e reconheça o valor de cada uma como patrimônio cultural de Belém.
“Compartilhar esses conhecimentos com jovens alunos(as) que ainda não conhecem faz com que eles venham a adquirir senso crítico e repertórios que os auxiliem em seu futuro ofício como arquitetos(as)”, completa.
