Grupo de Educação Financeira da Amazônia ganha espaço na UFPA como ferramenta de cidadania e inclusão social

Em um cenário marcado por altos níveis de endividamento entre as famílias brasileiras, a educação financeira tem se consolidado como uma ferramenta essencial para promover autonomia e qualidade de vida. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que grande parte da população enfrenta dificuldades para equilibrar orçamento e consumo, realidade que dialoga com aspectos estruturais da economia apontados pelo IBGE, como renda e custo de vida. Iniciativas que aproximam conhecimento financeiro da população tornam-se cada vez mais necessárias. É nesse contexto que surge o Grupo de Educação Financeira da Amazônia (GEFAM).

Criado a partir de uma iniciativa docente voltada à disseminação da educação financeira, o GEFAM surgiu em 2013, após a participação de docentes da Universidade Federal do Pará (UFPA) em um curso sobre educação financeira promovido pelo Banco Central, no âmbito da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF). A partir dessa experiência, professores e estudantes passaram a estruturar, dentro da Universidade, um grupo voltado à promoção de conhecimentos financeiros adaptados à realidade amazônica.

Coordenador do projeto, o professor Alexandre Vinicius Campos Damasceno destaca que a iniciativa nasceu com o objetivo de atender demandas específicas da região. “Nosso foco é produzir, promover e divulgar educação financeira voltada à realidade da Amazônia, com ações que já alcançaram indígenas, quilombolas, ribeirinhos, jovens e adultos”, explica.

Universidade e sociedade – Ao longo de mais de uma década de atuação, o GEFAM consolidou uma série de projetos que articulam ensino, pesquisa e extensão. Entre as principais iniciativas, está a realização anual da Semana Paraense de Educação Financeira, além da oferta contínua de cursos e atendimentos à população. 

O grupo também se organiza em diferentes núcleos, que atuam desde o desenvolvimento de metodologias de ensino até o atendimento direto à comunidade. Essas ações já foram realizadas em escolas, instituições públicas e espaços comunitários, ampliando o alcance da Universidade para além do ambiente acadêmico.

Segundo o professor Alexandre, esse contato direto com a população gera impactos significativos. “As ações fazem com que as pessoas passem a olhar para a própria realidade financeira e reflitam sobre seus hábitos de consumo e planejamento”, afirma.

Olhar para a Amazônia – Um dos diferenciais do GEFAM é o enfoque regional, que considera as especificidades sociais, culturais e econômicas da Amazônia. O grupo desenvolve atividades voltadas a diferentes públicos e realidades, buscando compreender como as dinâmicas locais influenciam o comportamento financeiro.

Para o coordenador, essa perspectiva é essencial para promover transformações sociais efetivas. “Quando a gente pensa em educação financeira na Amazônia, a gente precisa olhar para as particularidades da região, para como as pessoas consomem, investem e organizam suas vidas financeiras”, ressalta.

Além do impacto social, o GEFAM também desempenha papel importante na formação dos estudantes da UFPA. A participação no grupo permite que discentes tenham contato com experiências práticas, desenvolvam pesquisas e ampliem a compreensão sobre finanças no cotidiano. “O estudante passa a ter um olhar mais crítico e aplicado sobre a própria vida financeira e sobre a realidade da sociedade”, observa o professor.

O coordenador também avalia a importância de ampliar a visibilidade do tema, dentro e fora da Universidade. “A educação financeira é essencial no cenário atual, principalmente diante das transformações no consumo, cada vez mais mediado pelo digital, o que pode aumentar o risco de endividamento”, pontua.

Ferramenta de cidadania – Em um contexto de consumo cada vez mais facilitado, especialmente pelo avanço das transações digitais, compreender como administrar recursos tornou-se um desafio ainda maior. Para o professor, a falta de planejamento financeiro, aliada a incentivos mercadológicos ao consumo desnecessário, está entre os principais fatores que levam ao endividamento. “O consumo excessivo, muitas vezes impulsionado por estímulos constantes, é um dos principais fatores que levam ao endividamento das famílias”, elucida.

Nesse sentido, a educação financeira aparece como um caminho possível para mudança de comportamento. Entre as principais orientações, o coordenador destaca a importância do autoconhecimento financeiro e do controle básico do orçamento. “É fundamental começar pelo básico: compreender a própria renda e controlar as despesas, buscando sempre gastar menos do que se ganha”, orienta.

Mais do que números, a educação financeira envolve escolhas, prioridades e planejamento de vida. “O primeiro passo é desenvolver consciência sobre o próprio comportamento financeiro e entender a realidade em que se vive”, completa.

Para além da organização das finanças, o trabalho desenvolvido pelo GEFAM evidencia o potencial da educação financeira como instrumento de transformação social. Ao possibilitar que indivíduos compreendam e reorganizem sua relação com o dinheiro, essas iniciativas contribuem para ampliar o acesso a direitos e oportunidades. “A educação financeira é, antes de tudo, um instrumento de cidadania: ela devolve autonomia a pessoas endividadas e promove inclusão social”, conclui o professor.

Mais informações estão disponíveis nas redes sociais do grupo.

TEXTO: Tahís Cristine – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Freepik/Banco de imagens

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de QualidadeODS 12 - Consumo e Produção Responsáveis

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