Desde 2016, o dia 11 de fevereiro marca o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de incentivar a participação feminina na ciência e reconhecer as importantes contribuições das mulheres para o avanço científico. Em alusão à data, a UFPA promove uma série especial de reportagens em homenagem às mulheres que impulsionam a produção do conhecimento científico nos diferentes campi da Instituição.
Uma dessas mulheres é a mestranda da Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação (UFPA) Ayla Pinheiro, que é graduada em Engenharia Florestal e desenvolve pesquisas com foco na propagação da árvore frutífera camu-camu (Myrciaria dubia), utilizando técnicas de aplicação de hormônios de crescimento para produção de mudas com potencial para a restauração florestal na Amazônia. O seu trabalho como pesquisadora tem sido essencial para a produção de mecanismos de desenvolvimento e preservação da fauna local.

Segundo a pesquisadora, um dos principais motivos para a sua escolha pela área florestal como estudo é o seu interesse por produzir resultados efetivos para cuidados com os ecossistemas presentes na floresta por meio das próprias relações naturais. “O que mais me incentiva a produzir ciência é a possibilidade de gerar conhecimento que contribua para a solução de problemas reais. A ciência me permite questionar, investigar e propor caminhos mais sustentáveis e justos”, comenta Ayla Pinheiro.
Hoje, entre as suas principais áreas de experiências, estão: Redes Neurais Artificiais, Inventário Florestal, Conservação de Quirópteros e a recuperação de áreas degradadas por meio de sementes dispersas por endozoocoria.
Mulheres na Ciência – Segundo o Boletim Anual OCTI, do Observatório de Ciência, Tecnologia e Inovação (OCTI), coordenado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), que analisa o cenário de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), a pesquisa ambiental é a terceira área que mais produziu ciência no Brasil, em 2024. Embora já esteja incluída nesse grupo de pesquisadoras(es) que têm contribuído para compreender a complexidade e propor formas de conservação que respeitam tanto a biodiversidade quanto as populações que geram o seu sustento por meio da floresta, Ayla acredita que ainda há muitas barreiras a serem enfrentadas para que mais mulheres sigam produzindo nesta área do conhecimento.
“Como mulher na ciência, enfrento desafios como a subvalorização do meu trabalho, a necessidade constante de provar minha competência e a desigualdade de oportunidades em determinados espaços”, afirma a pesquisadora sobre a dificuldade de produzir ciência em um campo com baixa parcela de oportunidades para mulheres.

Para mudar esse cenário, a jovem acredita que “é fundamental fortalecer políticas institucionais de equidade, incentivar a participação feminina desde a formação acadêmica e ampliar redes de apoio e mentoria para mulheres na ciência. Além disso, é necessário promover ambientes de trabalho mais inclusivos, combater assédios e discriminações de forma efetiva e valorizar a diversidade como um elemento central para o avanço científico”.
A área das engenharias vem sendo transformada pela atuação de mulheres cientistas que se dedicam à produção de conhecimento e à preservação da Floresta Amazônica. Entre essas, muitas pesquisadoras,
Mesmo com tantos desafios ainda a serem superados, Ayla Pinheiro ressalta ainda acreditar no potencial da produção científica feminina em favor da conservação ambiental, do fortalecimento da produção de conhecimento e de um ambiente mais inclusivo. “Espero continuar desenvolvendo estudos que contribuam para a conservação dos recursos naturais, para o uso sustentável das florestas e para a construção de políticas e práticas mais responsáveis ambientalmente”, finaliza a cientista.
Até o próximo dia 8 de março, a Série Especial Mulheres e Meninas na Ciência seguirá destacando trajetórias de pesquisadoras que atuam nos diferentes campi da Instituição, evidenciando a importância do protagonismo feminino na produção científica da Amazônia.


