Patrimônio Mundial Cultural, Theatro da Paz também faz parte da história da UFPA

O reconhecimento do Theatro da Paz como Patrimônio Mundial Cultural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), anunciado nesta segunda-feira, 27 de julho, celebra um dos mais importantes símbolos da cultura amazônica. Para a Universidade Federal do Pará (UFPA), a conquista também faz lembrar uma relação histórica que atravessa quase sete décadas e une educação, ciência, arte e memória.

Foi no palco do Theatro da Paz que, em 31 de janeiro de 1959, ocorreu a instalação solene da então Universidade do Pará. A cerimônia reuniu autoridades nacionais e foi presidida pelo então presidente da República, Juscelino Kubitschek, responsável pela sanção da lei que criou a Universidade, em 1957. Desde aquele momento, o teatro passou a ocupar um lugar especial na trajetória institucional da UFPA, acolhendo acontecimentos que marcaram diferentes gerações da comunidade universitária.

Ao longo dos anos, o Theatro da Paz tornou-se espaço de solenidades acadêmicas, cerimônias especiais, concertos, espetáculos e grandes encontros científicos promovidos pela Universidade. Em 2024, quando a UFPA sediou a 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o histórico teatro recebeu a cerimônia de abertura daquele que é considerado o maior evento científico da América Latina.

“O nosso Theatro da Paz não é apenas o grande símbolo da cultura paraense. Ele faz parte da própria história da nossa Universidade. Ver esse templo das artes, que acolheu um dos momentos fundacionais da nossa instituição e que já foi palco para tantos eventos da nossa universidade, como as diversas apresentações da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta da UFPA, ser reconhecido internacionalmente reafirma o compromisso da UFPA em unir ciência, patrimônio e criação cultural para e a partir da Amazônia”, celebra o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva. 

Fotografia registra um maestro regendo parte de um orquestra.

A relação entre a UFPA e o Theatro da Paz, no entanto, vai além da realização de eventos. A Universidade também ajudou a construir a história cultural do espaço por meio da formação de gerações de artistas e profissionais que atuam nos palcos amazônicos.

Por meio da Escola de Teatro e Dança, da Escola de Música, do Programa de Pós-Graduação em Artes e de outras unidades acadêmicas do Instituto de Ciências da Arte (ICA), a UFPA formou músicos, atores, diretores, regentes, pesquisadores e produtores culturais que contribuíram – e contribuem – para fortalecer a programação artística do Theatro da Paz e consolidar sua importância como um dos principais equipamentos culturais do país.

Além da formação de profissionais, docentes e estudantes da Universidade participaram e participam da criação de espetáculos, concertos, pesquisas e projetos de extensão que dialogam diretamente com a história e a vocação cultural do teatro. Essa presença constante faz do Theatro da Paz além de um espaço de apresentações, um ambiente de produção de conhecimento, experimentação artística e valorização da cultura amazônica.

Patrimônio Mundial Cultural – O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco reconheceu os Teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial Cultural. A inscrição contempla além do Theatro da Paz, em Belém , o Teatro Amazonas, em Manaus, destacando seu excepcionais valores históricos, arquitetônicos e culturais. Construídos durante o ciclo da borracha, os dois teatros simbolizam o período de intensa transformação econômica, urbana e artística vivido pela região entre o fim do século XIX e o início do século XX.

A candidatura brasileira foi coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com colaboração das Secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará, e reconhece esses espaços não apenas como monumentos arquitetônicos, mas também como patrimônios vivos, que seguem desempenhando papel fundamental na preservação, produção e difusão da cultura amazônica.

TEXTO: Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Alexandre de Moraes e Museu da UFPA

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