Projeto da UFPA ensina computação sem uso de telas

Em 2022, o Pensamento Computacional (PC) foi incorporado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por meio de um documento chamado Complemento da Computação. O ato normativo estabeleceu novas competências e habilidades alinhadas à Educação Digital para a educação básica brasileira, com um prazo de quatro anos para sua consolidação em todas as redes de ensino do país. Desde então, professoras, como Viviane Santos, docente da Faculdade de Engenharia de Computação (Fecomp/Camtuc) da Universidade Federal do Pará – Campus Tucuruí, têm se dedicado a projetos de extensão que fomentam a aprendizagem de conceitos fundamentais da Ciência da Computação em escolas paraenses.

Um desses projetos é o “Práticas de Computação Desplugada para Crianças”, criado por Viviane, em 2023. A iniciativa estimula o Pensamento Computacional de maneira lúdica e criativa, utilizando a Computação Desplugada (CD) como estratégia de ensino para crianças da educação infantil, do ensino fundamental e médio no sudeste do Pará. 

“O projeto surgiu primeiro devido à necessidade de levar esses conhecimentos para as escolas, já que o anexo da computação na BNCC é um conteúdo extremamente importante. A gente tem visto, a cada ano, uma série de novidades em relação ao uso dos equipamentos eletrônicos e das aplicações que a gente já tem hoje. Um exemplo é o próprio uso da inteligência artificial, a IA generativa, e assim por diante. Então a ideia é preparar os estudantes para esse mundo tecnológico em transformação, que é muito rápido”, explica Viviane Santos.

Pensamento Computacional – Ao contrário do que diz o senso comum, o pensamento computacional é uma competência fundamental que atravessa diversos campos do conhecimento e não se restringe à habilidade de programar. Na verdade, ele engloba e ajuda a desenvolver muitas outras capacidades, como: resolução de problemas por meio de instrumentos mentais, habilidade de abstração, criatividade para soluções, maior tolerância a ambiguidades, maior confiança em lidar com complexidade e persistência ao trabalhar com problemas difíceis etc. 

Justamente por ser uma competência mais abrangente, tal qual a leitura, a escrita e a aritmética, o pensamento computacional também pode ser ensinado de forma “desplugada”, ou seja, sem a necessidade de equipamentos eletrônicos ou de um laboratório de informática. “A computação desplugada é uma ferramenta poderosa para a inclusão digital, porque ela vai permitir que as pessoas, independentemente da condição socioeconômica, possam aprender os conceitos fundamentais da computação. O conceito de algoritmo, por exemplo, nada mais é do que um passo a passo para você resolver um problema”, acrescenta a professora. 

“Você pode trabalhar conceitos da computação desplugada ao ensinar a criança a ler, já na alfabetização. E isso é muito interessante porque transforma a computação em uma forma de você aprender as coisas, de você elaborar soluções. Então, preparar as nossas crianças, os nossos jovens para esse futuro é transformá-los em protagonistas e não somente em consumidores de tecnologia”, enfatiza Viviane. 

FOTOGRAFIA REGISTRA UM GRUPO DE CRIANÇAS JOGANDO COM CARDS E DESENHOS EM FOLHAS.

Atividades práticas – Segundo a docente da Fecomp/Camtuc, já foram realizadas diversas capacitações, oficinas, desenvolvimento de jogos, entrega de cartilhas e divulgação nas redes sociais. A grande maioria das atividades também incorpora elementos regionais, com o objetivo de atrair a atenção dos jovens por meio de cenários do dia a dia paraense.

“Além da conscientização e das capacitações, nós fazemos oficinas nas quais construímos brinquedos de computação desplugada. São tabuleiros e os mais diversos brinquedos que a gente pode montar para, de maneira lúdica, estar gerando conhecimentos relacionados à computação desplugada que possam ser levados para as crianças e jovens. Além disso, nós sempre levantamos possibilidades de como melhorar a forma de ensino da computação desplugada, de acordo com essas adaptações envolvendo regionalizações nossas daqui. Assim, a gente consegue fazer brincadeiras, por exemplo, que ensinam como o computador armazena as informações, como ele funciona através do binário e o que significa o binário”, detalha a professora. 

Outros exemplos práticos incluem jogos que simulam a execução de algoritmos, atividades que representam circuitos lógicos com objetos físicos e a montagem de robôs com circuitos simples utilizando materiais recicláveis. 

O projeto também promove ações de formação continuada de professores. Já foram realizadas oficinas de capacitação nos municípios de Tucuruí, Breu Branco e Goianésia do Pará. “Agora [em 2026], nós estamos na etapa de formação. A gente quer formar multiplicadores para que esses multiplicadores possam ajudar mais e mais professores a aderirem ao ensino da computação desplugada nas escolas”, conclui. 

TEXTO: Gabriela Cardoso – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Arquivo do projeto

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de Qualidade

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