Projeto “Popularizando Ciência” leva conhecimento tradicional para o ensino escolar

Imaginem poder transformar os conhecimentos produzidos junto a comunidades tradicionais em ferramentas de aprendizagem para as escolas. Essa é uma das propostas do Projeto “Popularizando Ciência”, coordenado pela professora Roberta Sá, do Campus Bragança da da Universidade Federal do Pará (UFPA). Iniciado em 2020, o projeto atua na produção de cartilhas didáticas interculturais com base em experiências e pesquisas realizadas junto aos povos indígenas, como os Tembés, e tradicionais, como a comunidade do Buçu, em Augusto Correa, e a vila dos pescadores em Ajuruteua.

A iniciativa reúne atividades de ensino, pesquisa e extensão e busca aproximar, por meio dos materiais elaborados, as realidades vivenciadas pelos estudantes na Amazônia, com os conteúdos trabalhados nas escolas. 

Fotografia registra várias mãos, segurando lápis e desenhando sobre um papel branco. Uma das mãos também segura uma régua transparente.

A proposta é produzir materiais pedagógicos que valorizem os conhecimentos relacionados aos territórios amazônicos e às formas de vida de seus habitantes. Os materiais são direcionados principalmente a estudantes de escolas públicas e utilizam uma linguagem acessível, buscando relacionar os conteúdos científicos às experiências cotidianas dos estudantes.

“Ao articular conhecimentos científicos e saberes tradicionais, esses recursos contribuem para que estudantes aprendam a partir do lugar onde vivem, reconhecendo pescadores, mestres e mestras de ofício, extrativistas e moradores locais como produtores de conhecimento e fortalecendo o sentimento de pertencimento, valorização cultural e cuidado com a Amazônia costeira”, explica a coordenadora do projeto, professora Roberta Sá.                  

Entre os objetivos do projeto, estão a valorização dos conhecimentos transmitidos entre gerações; o levantamento dos saberes ecológicos locais relacionados à pesca; a valorização do patrimônio cultural de comunidades tradicionais, técnicas, práticas, ancestralidades e saberes tradicionais, além da ampliação das oportunidades de aprendizagem em uma contribuição com a atuação de professores. 

Fotografia registra alguns exemplares de duasdiferentes publicações: conhecer para Proteger, aprendendo sobre os manguezais e sobre a resex; e Bragança e Augusto Corrêa. Há também uma caixa com a identificação "quebra-cabeça caeté" e um jogo de cartas "comunidades costeiras e mudanças climáticas".

Popularizando a ciência – Entre os produtos já desenvolvidos pelo “Produzindo Ciência”, está o livro Artesãos das Águas: história de vida dos mestres fazedores de embarcações tradicionais (volume 1: nordeste e oeste do Pará); a cartilha Ecologia costeiro estuarina e os saberes pesqueiros locais e o jogo da memória “Comunidades costeiras e emergência climática”. 

As cartilhas contemplam temas, como: sociobiodiversidade, identidade, caça, roça, alimentação, unidades de conservação, gestão de áreas marinhas, território, mudanças climáticas, relações de trabalho, ecologia entre outros assuntos relacionados à Amazônia e aos conhecimentos da população local e seu modo de vida. 

Além de funcionar como recurso didático, a produção também é considerada uma estratégia de divulgação e popularização da ciência. A proposta é levar às escolas conhecimentos produzidos na Amazônia por pesquisadores amazônidas, em diálogo com moradores locais que possuem experiência nos territórios onde vivem.

O projeto também produziu os documentários Serra Velha e Mestres das Águas – Embarcando nas Memórias, além da animação Resex Marinhas: entre as raízes do mangue e a preservação pela vida, todos disponíveis no canal do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão Pesqueira junto a Comunidades Amazônicas (LabPexca)

Fotografia registra duas mulheres sentadas em cadeiras de plásticos dispostas ao lado de uma mesa de plástica. Uma das mulheres escreve em um papel que está sobre a mesa, a outra mulher manuseia uma plástico, enquanto olha para um aparelho de celular.

Novidades para 2026 – Em seu sétimo ano de atuação, a expectativa do projeto está na produção de um jogo sobre o território e o patrimônio cultural da comunidade do Buçu, elaborado com base em uma oficina de mapas afetivos produzida em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além da cartilha Os Tembés: entre caminhos de matas, rios e roças.

Também estão previstos os fascículos Conhecendo os tipos de embarcações da região nordeste da Amazônia: Bragança e Augusto Corrêa e Por dentro de uma embarcação tradicional da Amazônia: suas partes e os tipos de madeiras usadas. Neles os leitores irão conhecer os tipos comuns de embarcações, como canoa, biana, barco, entre outros, além de conhecerem as estruturas dessas embarcações e quais madeiras são usadas na confecção. 

Outra novidade será o lançamento de um livro que aborda a história de vida de mulheres pescadoras do litoral do Pará, fruto das escrivências dessas mulheres. Com base no livro, será produzido um documentário.

Acompanhe as novidades e outras informações do projeto no perfil @Labpexca.

Leia mais:

TEXTO: Elizabete de Jesus – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Arquivo do projeto

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de Qualidade

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