O Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPA aprovou a Resolução nº 6.001, em 27 de novembro de 2025, que concede o título de Professor Emérito ao professor Cristovam Wanderley Picanço Diniz, por proposição do reitor Gilmar Pereira da Silva. O título constitui a honraria máxima concedida pela UFPA aos docentes que se destacaram de forma excepcional, ao longo de suas carreiras acadêmicas, por suas contribuições impactantes no ensino, na pesquisa, na extensão, na gestão universitária e nas políticas públicas. Desde 1978, o professor Cristovam Diniz dedica-se, com exclusividade, às atividades acadêmicas e administrativas na UFPA.
O mais novo professor emérito é médico, docente titular do Instituto de Ciências Biológicas, além de já ter atuado como pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (1993-1997) e reitor (1997-2001). Entre os documentos que instruíram o processo de concessão, o dossiê elaborado pelo professor Edmar Tavares da Costa traz informações importantes sobre a trajetória de vida, acadêmica e profissional do homenageado.
Para o reitor da UFPA, Gilmar Pereira, a homenagem é justa e assinala o reconhecimento de uma trajetória marcada pelo compromisso com a UFPA e com a formação acadêmica de excelência. “A contribuição do professor Cristóvam Wanderley Picanço Diniz foi essencial para o fortalecimento da nossa universidade como uma instituição multicampi, ampliando oportunidades de ensino e pesquisa em diferentes regiões do Pará e deixando um legado importante para a Amazônia”, destacou o reitor.
Clube de Ciências – Nascido em 18 de setembro de 1953, na cidade de Oriximiná, no Baixo Amazonas, o menino, que viria se tornar um dos maiores cientistas das Ciências Biológicas, guardaria, para sempre, lembranças das terras do Nhamundá, das águas grandes que inundavam a floresta e da terra semeada quando as águas baixavam e revelavam a exuberância da vida selvagem do lugar. As primeiras letras foram aprendidas na turma da professora Leonor e depois no Colégio Santa Maria Goretti, com a professora Ermelinda, antes de a família mudar para Belém, em 1961.
Na capital, estudou com Luiz Carlos de Lima Silveira, que se tornaria também professor e pesquisador do Instituto de Ciências Biológicas. A paixão pelas ciências logo se manifestou nos dois amigos durante o curso científico, quando criaram um Clube de Ciências, o Movimento Científico da Amazônia (MCA), nos porões de uma casa, na rua 16 de Novembro, onde morava uma das colegas da dupla. “Construíam-se foguetes. Realizavam-se experimentos em Biologia, preparavam-se trabalhos para as Feiras de Ciências, mantendo-se uma atmosfera propícia à escolha de uma carreira científica”, relembrou Cristovam, em memorial acadêmico citado por Edmar Costa.
Trajetória acadêmica – Em 1972, Cristovam foi aprovado no vestibular para o curso de Medicina, concluído em 1977. A carreira na Medicina, porém, não foi exercida por muito tempo. Ele se identificava mais com a pesquisa por trás das lentes dos instrumentos, dos microscópios, que davam acesso a um mundo escondido nas lâminas dos laboratórios. Foi aí que trilhou o caminho que o levaria à pós-graduação, à docência e à pesquisa na Universidade.
Ainda durante o último ano da Graduação em Medicina, ele foi selecionado para realizar estágio no Instituto de Biofísica da UFRJ, sob supervisão do professor Antônio Paes de Carvalho, nos estudos de Fisiologia, essenciais para a aprovação na seleção do mestrado naquele mesmo instituto, já sob a orientação do professor Eduardo Oswaldo-Cruz, que o orientou no doutorado, também na UFRJ.
Após o Mestrado em Biofísica, concluído em 1980, Cristovam Diniz regressou para Belém, passando a compor um grupo pequeno de pesquisadores do então Centro de Ciências Biológicas da UFPA, quando se dedicou à instalação de um laboratório avançado de fisiologia dos tecidos excitáveis, mais tarde denominado Laboratório de Neurofisiologia Eduardo Oswaldo-Cruz. Em seu memorial, o pesquisador agradece a todos os professores e dirigentes acadêmicos que contribuíram para dotar a unidade dos meios materiais necessários para os primeiros passos nas pesquisas.
Já o doutorado, realizado entre 1983 e 1987, rendeu uma série de publicações, além da tese sobre estudos eletrofisiológicos do córtex visual empregando técnica de registro multiunitário com eletrodos de tungstênio para fins de mapeamento dos campos receptores do córtex visual estriado e extraestriado da cutia. Vieram depois, ainda, quatro pós-doutorados, sendo três em universidades inglesas (Oxford e Southampton) e um na Universidade de Lisboa, em Portugal.
E, como professor, desde o final do mestrado, Cristovam Diniz ministrou diversas disciplinas na Graduação e na Pós-Graduação em Medicina e Ciências Biológicas, entre as quais, Neurofisiologia, Biofísica, Organização Morfofuncional do Sistema Visual, Princípios Básicos de Fotografia Aplicada, Anatomia e Fisiologia do Sistema Nervoso II, Anatomia Comparada e Neuroanatomia e também empenhou-se na criação de um outro laboratório, o de Neuroanatomia Funcional.
Administração acadêmica – Entre 1993 e 1997, Cristovam Diniz exerceu o cargo de pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPA, na gestão do reitor Marcos Ximenes Ponte; e o de reitor, entre 1997 e 2001, tendo impulsionado na UFPA os pioneiros cursos a distância, que serviram para estimular a criação da Universidade Aberta do Brasil, pelo MEC.
A gestão de Cristovam Diniz concentrou esforços na formação avançada de recursos humanos, tendo contribuído, substancialmente, para o crescimento do Índice de Qualificação Docente da UFPA. Em outra frente, sua gestão conferiu autonomia financeira aos campi universitários. Um dos resultados mais expressivos alcançados foi a formação de um grupo de pesquisa especializado na investigação da biologia do estuário, que deu novo impulso ao curso de Biologia em Bragança, sob a liderança do professor Horácio Schneider.
O novo professor emérito da UFPA ostenta em seu currículo o desenvolvimento de dezenas de projetos de pesquisa, tendo orientado dezenas de graduandos, mestres e doutores, além da publicação de 142 artigos científicos e um total de 3.096 citações, sem contar com a publicação de livro, capítulos e centenas de resumos em anais e congressos. A cerimônia de concessão do título honorífico será realizada ainda neste primeiro semestre de 2026.
