A Universidade Federal do Pará avançou em sua política de internacionalização com uma intensa agenda institucional no Canadá, marcada por visitas estratégicas a universidades de referência, assinatura de acordos de cooperação e participação em um dos maiores eventos científicos do mundo francófono. Ao longo de uma semana, entre os dias 11 e 15 de maio de 2026, a comitiva liderada pelo reitor Gilmar Pereira da Silva consolidou novas parcerias acadêmicas e ampliou o diálogo da instituição amazônica com centros internacionais de excelência em ensino, pesquisa e inovação.
A missão ocorreu nas cidades de Toronto e Québec, reunindo encontros com gestores universitários, pesquisadores e escritórios de relações internacionais de importantes instituições canadenses. A agenda reforça uma estratégia de gestão que vem colocando a UFPA em posição de destaque no cenário acadêmico internacional, com foco na ampliação de oportunidades para estudantes, docentes e pesquisadores da Amazônia.
A programação começou em Toronto, onde o reitor assinou um acordo de cooperação com a University of Toronto, uma das mais reconhecidas universidades do mundo. A agenda incluiu reuniões com a vice-reitora para Experiência Internacional, Mariana Mota Prado, que é brasileira, e com equipes responsáveis pela internacionalização da instituição.
O acordo firmado amplia perspectivas de intercâmbio acadêmico, desenvolvimento de pesquisas conjuntas e cooperação científica entre as duas universidades, criando novas possibilidades para a inserção de estudantes e pesquisadores da UFPA em redes globais de produção do conhecimento.

Segundo o reitor Gilmar Pereira da Silva, a internacionalização precisa ser compreendida como uma política institucional mais ampla, com impacto direto no desenvolvimento da universidade. “ A internacionalização da UFPA não se dá apenas pela ampliação de convênios, na verdade ela é uma política de gestão que conecta a Amazônia aos grandes centros de produção científica do mundo, fortalecendo nossa universidade e criando oportunidades concretas para estudantes, docentes e pesquisadores”, defende.
Ainda em Toronto, a comitiva esteve na York University, em diálogo com o diretor da Faculdade de Educação, Robert Savage, fortalecendo articulações para futuras parcerias na área de educação, especialmente em temas relacionados à realidade amazônica.
Presença da Amazônia em um dos maiores congressos científicos do mundo
Na sequência da missão, a delegação da UFPA, formada pela pró-reitora de Relações Internacionais, Lise Tupiassu, e pelo pesquisador Israël Hounsou, participou do 93º Congresso da Associação Francófona para o Saber (ACFAS), realizado na Université du Québec à Trois-Rivières (UQTR). O evento reuniu mais de 7 mil participantes de diferentes países e é considerado um dos mais relevantes encontros científicos multidisciplinares do mundo de língua francesa.
Durante o congresso, o reitor participou da mesa “Du Sud vers le monde” (“Do Sul para o mundo”), apresentando a experiência da UFPA na construção de uma internacionalização ancorada na realidade amazônica. A participação destacou a universidade como referência em pensar cooperação internacional a partir do Sul Global, levando a produção científica da Amazônia para debates centrais sobre educação superior e inovação.
O reitor também participou de reuniões estratégicas com a direção da UQTR, ampliando interlocuções para projetos conjuntos. A experiência, segundo ele, também reforça o papel da Amazônia como território produtor de conhecimento e parceiro relevante nas trocas internacionais. “Cada encontro realizado no Canadá reafirma que a Amazônia tem muito a ensinar e também a aprender no diálogo com outras instituições. Estamos construindo pontes de conhecimento que valorizam nossa realidade e projetam a UFPA internacionalmente”, diz.
Cooperação científica e intercâmbio com a UQTR e Laval
Um dos pontos altos da missão foi a assinatura de um acordo de cooperação internacional entre a UFPA e a Université du Québec à Trois-Rivières. A parceria prevê a criação de um programa de intercâmbio acadêmico entre Brasil e Canadá, com lançamento previsto para o segundo semestre deste ano.
A iniciativa incluirá mobilidade de doutorandos e professores com financiamento compartilhado entre os dois países e, a partir de março de 2027, a implementação das primeiras cotutelas internacionais, permitindo que estudantes desenvolvam pesquisas nas duas instituições, com orientação compartilhada e integração científica.
Reconhecida por sua atuação em pesquisa aplicada, inovação tecnológica, sustentabilidade, inteligência artificial e transição energética, a UQTR passa a integrar uma rede estratégica de cooperação para a UFPA, conectando a produção científica amazônica a um dos ecossistemas acadêmicos mais dinâmicos da América do Norte.
A missão seguiu em Québec com uma agenda ampliada na Université Laval, maior instituição de pesquisa em língua francesa do Canadá.
A programação incluiu encontro com a associação de estudantes de pós-graduação, visitas técnicas ao campus e reuniões com setores voltados à vida estudantil, permanência, diversidade e inclusão. A comitiva também foi recebida por Cathia Bergeron, vice-reitora de Estudos e Assuntos Estudantis, em agenda institucional que consolidou perspectivas de cooperação em ensino, pesquisa, mobilidade acadêmica e políticas universitárias.
No último dia da missão, os representantes da UFPA participaram de reuniões sobre equidade, diversidade e inclusão, além de encontros com o setor de mobilidade internacional da universidade e com a Faculdade de Ciências da Educação, representada pelo vice-diretor de Pesquisa e Internacionalização, Claude Goulet.
Esses encontros permitiram à UFPA conhecer experiências consolidadas de gestão universitária, acolhimento estudantil e internacionalização, práticas que podem inspirar novas ações institucionais na Amazônia.
Internacionalização como política de liderança institucional
Para além da formalização de acordos, a missão ao Canadá evidencia a internacionalização como uma política estratégica da gestão da UFPA, baseada no fortalecimento de redes científicas, no intercâmbio de experiências e na ampliação de oportunidades para a comunidade universitária.
As parcerias estabelecidas devem favorecer programas de mobilidade acadêmica, dupla titulação, pesquisa conjunta e formação de redes internacionais em áreas estratégicas para a Amazônia, como educação, sustentabilidade, inovação tecnológica, saúde e inclusão.
Ao final da agenda, o reitor destacou que o processo consolida a presença da universidade em circuitos globais de produção científica, sem perder sua identidade amazônica. “Essas parcerias fortalecem a presença da UFPA em redes globais de ciência, inovação e formação, consolidando nossa universidade como uma instituição plural, singular e cada vez mais conectada aos desafios contemporâneos”, avalia.





