A Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou, entre os dias 16 e 20 de março de 2026, uma missão institucional estratégica na França. Ao longo dos cinco dias, a comitiva liderada pelo reitor Gilmar Pereira da Silva percorreu centros de excelência nas cidades de Toulouse, Montpellier, Tours e Paris, consolidando acordos que elevam o patamar da internacionalização da maior universidade da Amazônia.
A delegação foi composta por Lise Tupiassu, pró-reitora de Relações Internacionais (Prointer), professora de Direito e especialista em questões ambientais; Doriedson Rodrigues, chefe de gabinete da Reitoria e professor de Linguística e Ciências da Educação; e Edna Castro, socióloga e pesquisadora emérita, especialista em conflitos territoriais.

A jornada teve início no Observatório Midi-Pyrénées (OMP) da Universidade de Toulouse, onde se discutiu trilhas de pesquisa com laboratórios de referência mundial, como o Centro de Estudos Espaciais da Biosfera (Cesbio) e o Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Meio Ambiente (CRBE). O grupo também avançou em diálogos com o Laboratório de Estudos em Geofísica e Oceanografia Espaciais (Legos) e o laboratório Geociências Meio Ambiente Toulouse (GET), além de tratar da mobilidade acadêmica via programa Brasil França Engenharia Tecnologia (Brafitec).
Para o reitor da UFPA, o nível das interlocuções confirma o papel global da instituição. “Esta missão demonstra que a ciência produzida na Amazônia dialoga de igual para igual com as maiores instituições do mundo. Mostramos que a UFPA é o epicentro da inteligência sobre a nossa região”, avaliou.
Já a pró-reitora Lise Tupiassu ressaltou a trajetória histórica que a missão consolidou. “A França é uma das parceiras mais tradicionais da UFPA. Tivemos a formação de muitos de nossos professores lá no passado, o que impactou substancialmente a criação de centros como o Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA). Diante do atual cenário de aproximação entre Brasil e França, vivemos uma onda de avanços ainda maior nessas parcerias, com a recepção do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA) e do Instituto das Américas (IdA), além do fortalecimento dos laços com o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS)”, evidendiou.

Em Montpellier, o foco foi a interdisciplinaridade no Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), abordando transição energética e saúde planetária. A comitiva também estreitou laços com a unidade Atores, Recursos e Territórios no Desenvolvimento (Art-Dev) do CNRS e com o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD), por meio da unidade Botânica e Modelagem da Arquitetura de Plantas (AMAP).
Dando continuidade à agenda, a UFPA apresentou o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade e Sustentabilidade da Amazônia (INCT SinBiAm) em reuniões na Fundação para a Pesquisa sobre Biodiversidade (FRB) e no Centro de Síntese e Análise sobre a Biodiversidade (CESAB).
Discussões multidisciplinares ocorreram junto às unidades Ecologia Funcional e Biogeoquímica de Solos e Agroecossistemas (Eco&Sols) e Abordagem Integrada para a Qualidade dos Alimentos (Qualisud), além da Rede Territórios Amazônicos. Os encontros debateram projetos que unem alta tecnologia à valorização de produtos regionais, como o açaí, conectando a expertise da UFPA a instituições da Colômbia e da Guiana Francesa.
Em Tours, na Vila Rabelais, sede do Instituto Europeu de História e Cultura da Alimentação (IEHCA), discutiu-se a gastronomia de Belém como patrimônio e ciência, além de parcerias na, Universidade de Tours, para o monitoramento de contaminantes no estuário amazônico.


Legado da COP 30 – A missão culminou em Paris com o seminário “COP 30 entre a Amazônia e o Mundo: Balanço Crítico e Perspectivas”, organizado pela UFPA, CFBBA e Maison du Brésil, onde ocorreu o debate. O evento marcou a renovação do acordo de cooperação entre a Universidade e o IRD, assinado pelo reitor Gilmar Pereira da Silva, pelo diretor-geral do IRD, Gilles Pécassou, e pelo diretor da Maison du Brésil, Antonio Brasil Junior.
O encontro contou com a participação de Françoise Moulin Civil, presidente do Instituto das Américas; Gabriela Ruggeri, chefe do Setor de Meio Ambiente da Embaixada do Brasil na França; Fanny Jojon, coordenadora de parcerias para a América Latina do Ministério da Europa e das Relações Exteriores da França (MEAE); e Benoît Labat, do Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa (MESRE) da França.

“Essa missão institucional teve um impacto grande no protagonismo internacional da UFPA, pois nos apresentamos a diversas equipes e mostramos nossa expertise. Encerramos com um evento de extrema importância para discutir o legado da COP 30 diante da comunidade francesa. Isso marca a estruturação dessa política sobre mudanças climáticas e o fortalecimento desta cooperação, que vem em um momento estratégico após o resultado fantástico que tivemos na Capes Global (Programa Institucional de Internacionalização). Esperamos que nossa comunidade acadêmica aproveite essas oportunidades para fortalecer seus laços com a França”, analisou Lise Tupiassu.
Ao encerrar a agenda, o reitor Gilmar Pereira da Silva destacou a visão de futuro da gestão. “Ao renovarmos nossos acordos, garantimos que a UFPA seja a ponte entre a ciência global e a realidade dos nossos povos. Voltamos com a certeza de que a nossa universidade, plural e singular, é hoje uma das maiores referências globais de conhecimento”, concluiu.


