UFPA inicia atividades para o acolhimento de estudantes refugiados no âmbito da Cátedra Sérgio Vieira de Mello

Você já ouviu falar sobre a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM)? Com atuação na Universidade Federal do Pará(UFPA) desde outubro de 2024, por meio de uma parceria com  a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), a Cátedra Sérgio Vieira de Mello simboliza a institucionalização de uma parceria em favor das pessoas que estão em situação de vulnerabilidade, devido à condição de pessoa refugiada ou de solicitante de refúgio. Presente em instituições de ensino de diferentes regiões brasileiras, a cátedra tem um papel importante na garantia de direitos a essas pessoas.

O objetivo da Cátedra Sérgio Vieira de Mello é promover atividades na área de educação, em parceria com instituições de ensino nacionais voltadas ao acolhimento da população em condição de refúgio, atendendo a um dos principais focos de atuação da Agência da ONU para Refugiados. A escolha do nome do brasileiro Sérgio Vieira de Mello ocorreu por sua atuação de destaque como representante das Nações Unidas, em diversas missões humanitárias, tendo sido morto no Iraque, no mesmo ano em que se dedicou ao trabalho com refugiados, como funcionário do Acnur.

“A figura de Sérgio Vieira de Mello é muito importante não só para nós mas também para o mundo todo. Ele colocou como propósito da sua vida acolher e cuidar das pessoas, e é o que buscamos fazer aqui. Então, estou muito feliz por podermos ter essa cátedra na UFPA, para que possamos trabalhar de forma estratégica para esse acolhimento. Nossas portas estão abertas para construirmos sempre algo novo, porque esta é uma universidade que também fala para fora dos seus muros”, ressaltou o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, em evento de apresentação da cátedra.

De acordo com representantes da Acnur, a presença da cátedra nas universidades é imprescindível para que o potencial intelecto e estratégico presente nesses espaços possa atuar em favor da proteção e do acolhimento das pessoas refugiadas, complementando a atuação do poder público. Por este motivo, é importante que, dentro da academia, haja um engajamento da sua comunidade, de acordo com o seu campo de conhecimento, para o aprimoramento dessa atuação.

“A cátedra é uma ferramenta muito flexível, que a gente pode construir de forma diversa e inclusiva, com a colaboração de vários departamentos, com foco no ensino, na extensão e na pesquisa. Então, que a gente faça uma cátedra proporcional à importância dessa temática para a Amazônia brasileira, para a Região Norte e para as Américas. Queremos trazer a Amazônia mais fortemente para esta discussão e desejamos que o estado do Pará também possa estar representado de maneira consistente e contundente, de acordo com a sua importância nessa seara”, explicou Janaina Galvão, chefe do escritório do Acnur, em Belém, lembrando as especificidades territoriais que colocam a Amazônia como um território que vivencia, diariamente, esse fluxo de refúgio. Além da UFPA, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello também está presente na Universidade do Estado do Pará (UEPA).

Troca de experiências – Como forma de otimizar o alcance das atividades desenvolvidas no âmbito da cátedra na UFPA, a coordenação realizou um seminário com a participação de representantes da Acnur, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), da Faculdade Cosmopolita, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e de movimentos sociais, além de estudantes estrangeiros vinculados à UFPA.

Para a professora Flávia Lemos, que coordena a Cátedra Sérgio Vieira de Melo na UFPA, a realização do seminário proporcionou o compartilhamento de experiências importantes para se vislumbrar os aspectos que têm sido predominantes na vivência de refugiados(as), apátridas, exilados(as) e pessoas em mobilidade forçada no Brasil. “A troca de experiências com outras cátedras permite a partilha de práticas exitosas que oferecem sugestões e pistas de caminhos trilhados por outras instituições. Esses percursos apontam direções para a UFPA traçar suas trajetórias na condução das práticas de sua cátedra”, pontua a coordenadora.

Auditório e mesa com convidados à frente.

Hoje, entre as atividades planejadas para serem desenvolvidas no âmbito da cátedra na UFPA, estão a promoção de editais para processos seletivos especiais para ingresso de estudantes refugiados(as), apátridas, exilados(as) e em deslocamento forçado; ações de extensão relacionadas ao ensino de português a esses estudantes; a articulação de parcerias com outras organizações e movimentos que atuam com essa população; o desenvolvimento de práticas de acolhimento que visem promover a quebra de preconceitos e discriminação na sociedade, de modo geral; a oferta de uma assessoria jurídica na organização de documentos dessa população, entre outras ações.

“Este movimento é muito legal, porque vai permitir que pessoas que vêm de outros países, como imigrantes, apátridas e refugiados, tenham a possibilidade de entrar na universidade. É importante pensar em uma cátedra aplicada para que esses imigrantes tenham essa acessibilidade assegurada, e eu agradeço o fato de a UFPA vir recebendo vários estrangeiros na última década, movimento este que será fortalecido pela cátedra”, comentou o estudante estrangeiro Milius Guerrier, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Currículo e Gestão de Escola Básica da UFPA, o qual, agora, vai iniciar o curso de Doutorado, também na UFPA, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia.

TEXTO: Maissa Trajano - Assessoria de Comunicação Institucional

FOTOS: Alexandre de Moraes

Relação com os ODS da ONU:

ODS 1 - Erradicação da PobrezaODS 4 - Educação de QualidadeODS 10 - Redução das Desigualdades

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