Para compreender como nossa forma de lidar com questões socioambientais é construída por meio da linguagem que utilizamos, a Universidade Federal do Pará (UFPA) em parceria com universidades latino-americanas organiza o II Seminário Justiça Socioambiental, Diversidade Linguística e Educação (JSDLE) que irá ocorrer no Campus Guamá de 16 a 19 de junho.
O evento surge como contraponto a modelos de debates que reduzem a discussão à autoridades. O Seminário JSDLE visa ampliar o diálogo e fomentar o protagonismo dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos nos debates climáticos, além de fortalecer a construção dessas narrativas em produções acadêmicas. A rede de pesquisa que compõe o evento é formada por seis universidades: Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade de São Paulo (USP), Universidad de Buenos Aires, Universidad Nacional de La Plata e a Universidade de la República.
“O debate que propomos nesse evento se desdobra em duas etapas. A primeira consiste em entender como as palavras que usamos constroem modos de encarar a nós mesmos e ao ambiente em que vivemos e, consequentemente, de agir sobre ele. A segunda, talvez mais problemática, é compreender as relações que vão se construindo no contato entre diferentes modos de falar sobre esse ambiente – diferentes línguas, diferentes discursos, diferentes identidades, diferentes cosmologias.” comenta o professor Thomas Fairchild, coordenador do evento.
O seminário parte de uma indagação inicial: de que formas a palavra vem sendo empregada para construir relações do homem consigo mesmo, com seus semelhantes e com o seu entorno? Uma das questões levantadas no seminário é a efetividade da participação decisória dessas populações mais vulneráveis a desastres ambientais durante a COP30. Para o professor Thomas, a participação dos povos foi inserida em um patamar de coadjuvantes.
O seminário busca gerar debates acerca da exclusão dessa população na formulação de políticas e produções científicas. A ação tem como principal objetivo firmar bases científicas que levem em conta as reais reivindicações desses povos e questionar as decisões mundiais sobre os impactos ambientais. “Em um mundo em que há permissão para que um Estado viole a soberania de outro e mate com a finalidade de roubar recursos, não pode haver qualquer tipo de justiça, nem social, nem climática, nem epistêmica.”
O evento também contará com a presença do ex-ministro da Educação de Moçambique, Daniel Nivagara e com o apoio das associações estudantis da UFPA, a Associação dos Povos Indígenas Estudantes na UFPA (APYE) e a Associação de Discentes Quilombolas da UFPA (ADQ). A participação desses convidados no evento busca assegurar que os povos tradicionais e seus saberes ancestrais sejam agentes decisórios em debates globais e não apenas objeto de análise.
As inscrições para ouvintes estão abertas até dia 16 de junho e podem ser realizadas pelo link de inscrição. Estudantes de graduação e pós-graduação podem inscrever-se como ouvintes ou com apresentação de trabalhos.
Serviço
II Seminário JSDLE – Justiça Socioambiental, Diversidade Linguística e Educação
Data: 16 a 19 de junho
Local: Campus Guamá
Inscrições: até 16 de junho
Valor: R$30 para ouvintes


