MUFPA realiza programação internacional sobre arte, alteridade e práticas decoloniais

O Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) promove, entre os meses de maio e julho de 2026, uma programação internacional dedicada às relações entre arte, alteridade, museologia decolonial e cidadania transnacional. A agenda reúne exposição, oficina e conferência internacional, articulando produção artística, pesquisa acadêmica e debates sobre representação, territorialidade e justiça cognitiva na Amazônia.

A programação tem início no dia 28 de maio, com a abertura da exposição Laboratório Huni Kuin, do artista português Rui Mourão, em diálogo com o projeto colaborativo O Tempo das Huacas. A mostra segue em cartaz até 26 de julho de 2026, no Museu da UFPA, com curadoria de Orlando Maneschy e Bruno Marques.

A exposição reúne a trilogia audiovisual Dois, O Espírito de Gnosjö e Segredo do Artesão, desenvolvida por Rui Mourão a partir de uma pesquisa artístico-antropológica entre Amazônia, Portugal e Suécia. A videoinstalação aborda as relações entre arte e ritual como processos de representação, reconexão e transformação, articulando antropologia audiovisual, performance e práticas colaborativas com o povo Huni Kuin.

Em diálogo com a exposição, o projeto O Tempo das Huacas propõe uma reflexão crítica sobre a presença e a exposição de restos mortais ameríndios em museus. Para isso, Rui Mourão convidou os artistas indígenas contemporâneos Alberto Alvares, Denilson Baniwa, Ibã Huni Kuin, Jaider Esbell e Marilya Hinostroza, que desenvolveram trabalhos em videoarte crítica. O material será apresentado pela primeira vez em um museu brasileiro.

A iniciativa integra um circuito internacional iniciado em maio de 2026, com a apresentação do projeto no espaço Weld, em Estocolmo, na Suécia, sob co-curadoria de Anna Viola Hallberg e Bruno Marques. A circulação entre o Norte europeu e o Norte amazônico constitui um dos eixos conceituais da programação, propondo reflexões sobre deslocamentos geopolíticos, circulação internacional da arte e redistribuição epistêmica.

Segundo o diretor do Museu da UFPA, professor Tadeu Costa, a programação reafirma o papel da universidade pública amazônica como espaço de produção crítica de conhecimento e de articulação internacional. “O MUFPA fortalece seu compromisso com debates contemporâneos sobre arte, memória, representação e diversidade cultural, consolidando a Amazônia como lugar de enunciação e produção de conhecimento”, destaca.

Programação ampliada – Como parte das atividades formativas, o Museu da UFPA realiza, nos dias 29 e 30 de maio, a oficina Videoarte e Antropologia Audiovisual com Celulares, ministrada por Rui Mourão. A atividade é aberta ao público em geral e propõe experimentações audiovisuais a partir de dispositivos móveis e práticas colaborativas.

Nos dias 2 e 3 de junho, o MUFPA sedia a conferência internacional Arte e Alteridade: Práticas Decoloniais, Museologia e Cidadania em Perspectiva Transnacional, reunindo pesquisadores, artistas e profissionais das artes do Brasil, Portugal, Peru e Suécia. O encontro é coorganizado pelo Museu da UFPA e pelo Instituto de História da Arte – NOVA FCSH.

A programação presencial, realizada em 2 de junho, contará com conferências, mesas de debate e performance artística. Entre os temas abordados estão museu universitário e responsabilidade social, antropologia audiovisual, ética da colaboração, ecologias de saberes e práticas artísticas investigativas. Participam da programação nomes como Rosangela Britto, Waléria Américo, Alexandre Sequeira, Lúcia Santana e Rui Mourão.

No dia 3 de junho, a programação online reunirá convidados internacionais em debates sobre descolonização do olhar, alteridade, políticas da representação, circulação internacional da arte e curadoria em contextos transnacionais. Participam da conferência Ana Balona de Oliveira, Filipe Campello, Gabriela Albergaria, Cristiana Tejo, Liliana Coutinho, Christian Bendayan e Anna Viola Hallberg, entre outros convidados.

A conferência propõe pensar a Amazônia não como objeto de análise, mas como lugar de enunciação e produção de conhecimento. Nesse contexto, o MUFPA é compreendido como espaço estratégico para discutir museologia crítica, mediação simbólica, representação e cooperação transnacional em perspectiva ética e decolonial.

A programação resultará ainda em uma publicação científica bilíngue (português e inglês), em acesso aberto e com DOI, ampliando a circulação internacional das reflexões produzidas durante o encontro.

A organização do evento é do Museu da Universidade Federal do Pará, representado institucionalmente por Orlando Maneschy e Tadeu Costa, em parceria com o Instituto de História da Arte – NOVA FCSH, representado por Bruno Marques. A comissão científica e a coordenação editorial da publicação são compostas por Orlando Maneschy, Bruno Marques e Rui Mourão.

Serviço:

Exposição — Laboratório Huni Kuin e projeto O Tempo das Huacas
Período: 28 de maio a 26 de julho de 2026
Local: Museu da Universidade Federal do Pará
Entrada gratuita

Oficina — Videoarte e Antropologia Audiovisual com Celulares
Datas: 29 e 30 de maio de 2026
Local: Museu da UFPA
Público: aberto ao público em geral

Conferência Internacional — Arte e Alteridade: Práticas Decoloniais, Museologia e Cidadania em Perspectiva Transnacional
Datas: 2 de junho (presencial) e 3 de junho de 2026 (online)
Realização: Museu da UFPA e Instituto de História da Arte – NOVA FCSH
Participação gratuita

Para participar das atividades, é necessário solicitar a inscrição pelo e-mail museu@ufpa.br.

TEXTO: Ascom Museu da UFPA

FOTOS: Divulgação

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