Jornalismo Investigativo na Amazônia é tema de evento na UFPA

Na última quinta-feira, dia 11, o Programa de Pós-Graduação em Cultura, Comunicação e Amazônia (PPGCom) sediou o evento intitulado “Desafios do jornalismo investigativo na era digital”, que contou com a participação do com o jornalista investigativo Adriano Wilkson. A realização do encontro foi proposta pelo professor Elson Santos, como atividade da disciplina Núcleo de Redação Integrada IV, com o objetivo de debater o cenário atual do jornalismo na Amazônia. 

No ambiente acadêmico, o professor Elson propôs aos estudantes uma reflexão sobre a prática investigativa em meio à rapidez informacional, ao domínio das redes digitais e aos conflitos de narrativas, conferindo ao encontro uma relevância estratégica para a compreensão desses novos rumos.

“A ideia surgiu para a gente tentar aproximar o mercado também com a academia. Porque a gente vê muita teoria em sala de aula e eu queria pular os muros da universidade e conversar com as pessoas que estão trabalhando no dia a dia e não ficar só vendo eles online”, explicou Elson Santos.

Para o docente, é importante oferecer essa interação direta entre estudantes e profissionais que atuam no mercado. “Ele trouxe muitas coisas pessoais dele e eu acho isso muito legal porque dá pra ver que ele é gente como a gente. Veio falar aqui sobre o jornalismo investigativo que é uma frente que ele trabalha agora e foi muito interessante porque ele mostrou agora um lado desse jornalismo que é especializado na Amazônia”, declarou.

Fotografia do jornalista Adriano Wilkson.

Jornalismo na Amazônia – Em 2009, Adriano Wilkson iniciou sua trajetória acadêmica no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pará. Embora não tenha concluído a graduação na UFPA, o jornalista expressou sua satisfação em retornar à Facom/UFPA, destacando a importância desse espaço de troca para discutir os bastidores da prática profissional.

“Eu acho muito importante falar sobre o jornalismo investigativo hoje, principalmente porque esse tipo de jornalismo tem a capacidade de revelar informações, dados e situações de grande relevância, que as pessoas querem manter escondidas do povo. E se feito com responsabilidade, com paciência e principalmente com olhar voltado para os interesses da população, da classe trabalhadora, é capaz de revelar informações importantes para o público que podem contribuir com o debate e com a luta de classe por mais direitos, por mais participação social e por mais democracia, de maneira geral”, declarou Adriano.

Um dos pontos centrais discutidos pelo jornalista foi a complexidade de conduzir investigações na região amazônica, especialmente sob uma perspectiva independente. Sem vínculo com redações ou um emprego fixo no momento, Adriano Wilkson gerencia sua produção de forma solitária e digital, mantendo sua atuação por meio de doações e do suporte direto de seus seguidores.

“O principal desafio que eu entendo do jornalismo investigativo na Amazônia, especificamente, é a dificuldade de você conseguir uma estrutura para manter um trabalho que pode ser cansativo e muitas vezes frustrante. Fazer uma reportagem investigativa leva tempo, custa dinheiro e os veículos, de maneira geral, não estão dispostos a investir o que é preciso para esse resultado”, ressaltou.

Apesar dos obstáculos, Wilkson ressaltou a relevância de persistir na atividade, enfatizando que o jornalismo investigativo é um esforço recompensador e essencial para a sociedade. “A esperança é que a gente um dia consiga dar as condições para que nós façamos o nosso trabalho. E eu não acredito que isso vai ser feito por meio de grandes empresas comerciais, mas isso pode ser feito de maneira independente, por meio da criação de coletivos de comunicadores e jornalistas que possam se juntar, se estruturar, se organizar para criar as condições necessárias para esse tipo de trabalho tão importante para nossa população”.

Ao final do evento, o professor Elson destacou a importância de promover mais encontros como esse para a comunidade acadêmica. “É muito importante para os alunos verem como a gente pode fazer comunicação de forma independente, apesar dos muitos desafios que temos. Ele não é o primeiro, mas foi especial trazer um nome mais próximo e mais novo da atualidade que é referência para os alunos”, concluiu.

TEXTO: Luiza Amâncio - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Arthur Galvão - Academia Amazônia

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de Qualidade

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