Laboratório a céu aberto no Rio Tucunduba é referência internacional na pesquisa de soluções voltadas à redução da poluição marinha

Um estudo da ONU revelou que 3,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos são lançados nos rios e mares brasileiros todos os anos. E, na região amazônica, o cenário é igualmente preocupante, de acordo com uma estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Motivados a encontrar soluções, professores da Universidade Federal do Pará (UFPA) uniram esforços com a Universidade Técnica de Braunschweig (Alemanha) e mais 14 universidades brasileiras parceiras, para a realização do Promares – Projeto Mar Circular: Construindo Soluções. O objetivo da cooperação é desenvolver soluções voltadas à redução da poluição marinha devido à presença de plásticos, bem como fortalecer políticas públicas ambientais. 

No Campus Guamá da Universidade Federal do Pará (UFPA), o Promares concentra parte de suas atividades na Unidade Experimental Rio Tucunduba, espaço destinado à capacitação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado em práticas relacionadas ao gerenciamento de resíduos plásticos. A unidade é coordenada pelo pesquisador Neyson Mendonça, docente da UFPA vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental (PPGESA), que atua na articulação de atividades de ensino, pesquisa, inovação tecnológica e extensão voltadas à gestão de resíduos sólidos e à economia circular. 

“Por ser cortada por rios, a UFPA implementou uma unidade experimental de monitoramento de macro-plásticos no Rio Tucunduba. Ela, na verdade, é inédita e inovadora, porque, até então, não existia no Brasil uma unidade de treinamento com esta configuração de medição de macro-plásticos no corpo d’água”, conta Neyson. “Nós discutimos as soluções que precisam ser adotadas para o melhor gerenciamento dos resíduos sólidos encontrados nos rios, mares e oceanos. Essa fração plástica que tem se acumulado provoca impactos ambientais na fauna aquática da nossa região, bem como impactos econômicos”, completou o professor.

Segundo ele, o rio Tucunduba tem funcionado como um “laboratório a céu aberto” do projeto Promares. “A ideia é realizar treinamentos voltados ao monitoramento e ao desenvolvimento de novas técnicas envolvendo equipamentos de coleta de macroplásticos, monitoramento com IA e APPs específicos, recuperação, transformação e valorização da fração do plástico em distintos setores da construção civil, pavimentação, energia elétrica, naval e educacional. A partir do treinamento das equipes da UFPA que estão envolvidas, poderemos repassar esse know-how às demais equipes do Brasil que integram o Promares e às distintas esferas do  governo federal, estadual e municipal, para que elas possam ter melhores políticas públicas voltadas à redução da poluição plástica em rios”, explica. 

Retorno às comunidades – Outro diferencial do Promares é a participação ativa da sociedade civil em suas ações, com destaque para o envolvimento de comunidades ribeirinhas, quilombolas, povos indígenas e pessoas privadas de liberdade. Esses grupos são incentivados a atuar em cooperativas, associações e startups voltadas à reciclagem e à valorização de materiais recicláveis. O objetivo é que eles se tornem protagonistas na execução de serviços ambientais e na implementação de boas práticas de sustentabilidade socioambiental.

Nesse sentido, os estados do Pará, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro são considerados ‘áreas-piloto’ de implementação das ações do Promares. Isso significa que as metodologias, procedimentos técnicos e estratégias de gestão desenvolvidos e validados nessas unidades serão referência para as unidades parceiras dos demais estados. “A partir dos resultados obtidos nesses territórios, espera-se ampliar e replicar as experiências bem-sucedidas em âmbito nacional, contribuindo para a formulação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à gestão de resíduos sólidos e à economia circular”, enfatiza o professor Neyson Mendonça. 

Além da equipe da UFPA, o Promares é composto por equipes da Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade do Estado do Maranhão (UEMA), Universidade de Brasília (UnB), Universidade de Pernambuco (UPE), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), e Instituto Costa Brasilis/USP. Cada uma das equipes possui atribuições diferentes, conforme a sua especialidade e localização geográfica. Posteriormente, todas as informações produzidas pelo projeto serão reunidas em uma plataforma digital.

TEXTO: Gabriela Cardoso - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Divulgação do projeto

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de QualidadeODS 13 - Ação Contra a Mudança Global do ClimaODS 14 - Vida na Água

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