Livro discute os desafios da educação inclusiva em comunidades quilombolas de Cametá

Já está disponível o livro Educação especial na perspectiva inclusiva e educação escolar quilombola na Terra da Liberdade, Município de Cametá, no Pará, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura (PPGEDUC/UFPA). A publicação foi desenvolvida com o intuito de investigar a intersecção entre o suporte a estudantes com deficiência e as particularidades do ensino em comunidades quilombolas localizadas no município de Cametá. 

Escrita por Crisna Talita Sousa de Sousa e Benedita Celeste de Moraes Pinto, a obra aborda temáticas como a inclusão escolar e o direito à educação em territórios tradicionais, propondo reflexões sobre práticas pedagógicas voltadas a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), para que possa ser utilizada como um guia acadêmico para pesquisadores interessados em diversidade cultural e pedagogia inclusiva na Amazônia.

Para tanto, ao longo da publicação, são apresentados obstáculos recorrentes enfrentados por escolas localizadas em Cametá, município escolhido como foco do estudo, por integrar o território conhecido como Terra da Liberdade e por concentrar diversas comunidades quilombolas, tendo 179 escolas localizadas no campo, nas águas e na floresta, com apenas 19 delas situadas na área urbana. 

Territórios etnoeducacionais – De acordo com as autoras, a discussão sobre o autismo em territórios etnoeducacionais surgiu da necessidade de compreender as dificuldades existentes na implementação da educação especial inclusiva em escolas quilombolas. Assim, a pesquisa buscou compreender como professores que atuam em comunidades remanescentes de quilombos desenvolvem práticas voltadas ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) e quais são os desafios para consolidar uma educação inclusiva nesses contextos.

Como resultado, o livro aponta que, embora existam legislações voltadas à inclusão, estudantes quilombolas com deficiência ainda enfrentam desafios para garantir seus direitos educacionais e barreiras relacionadas ao preconceito, ao racismo e às desigualdades de acesso às políticas públicas. Segundo as pesquisadoras, essas dificuldades demonstram que muitas políticas públicas voltadas à inclusão ainda são concebidas com uma perspectiva predominantemente urbana, o que limita sua efetividade em territórios quilombolas e demais contextos etnoeducacionais.

Para quem desejar conferir o resultado desta pesquisa, o livro Educação Especial na Perspectiva Inclusiva e Educação Escolar Quilombola na Terra da Liberdade, Município de Cametá, no Pará está disponível gratuitamente, em formato digital, na plataforma da eDOC Brasil.

TEXTO: Tahís Cristine – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Divulgação

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de Qualidade

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