Programa de Residência Multiprofissional da UFPA garante bem-estar de animais silvestres

Para cuidar plenamente da saúde humana não se pode negligenciar a saúde animal. É o que dizem biólogos, médicos veterinários e psicólogos especialistas no manejo de animais silvestres. Isso porque, sempre que o habitat silvestre é incomodado, a saúde humana também é prejudicada. E hoje, com o avanço da urbanização, do desmatamento, das queimadas, do tráfico de animais e dos conflitos entre seres humanos e a fauna silvestre, a atuação de equipes capacitadas para atuar no resgate, na reabilitação e na reintrodução desses animais à natureza é imprescindível. 

Fotografia registra um tamanduá passando pelo procedimento de pesagem corporal, em uma pequena balança.

Na Universidade Federal do Pará (UFPA), o Programa de Residência Multiprofissional em Manejo, Comportamento e Bem-Estar de Animais Silvestres, primeiro do Brasil no âmbito das universidades federais, está sediado no Instituto de Medicina Veterinária (IMV/Campus Castanhal) e tem sido uma referência na promoção de saúde, resgates e reabilitação das espécies nativas da fauna brasileira. Atualmente, o Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário Universitário (HVSAS), um dos espaços de funcionamento do programa, recebe animais que precisam de cuidados provenientes de aproximadamente 30 outros municípios paraenses.

Oriundos de diferentes situações, como atropelamentos, queimadas, tráfico de animais, choques elétricos, ataques por animais domésticos, perda de habitat, os animais passam por triagens e, quando necessário, recebem o tratamento integrado, que inclui aspectos clínicos e cirúrgicos, mas não se limita a eles. “A saúde de um animal silvestre vai muito além da ausência de doenças. Um animal pode estar clinicamente saudável, mas apresentar ansiedade, medo intenso, estresse crônico, dor, dificuldades para expressar comportamentos naturais ou viver em um ambiente inadequado, comprometendo significativamente seu bem-estar”, explica Adriano Alvarenga, professor do IMV, biólogo e atual coordenador do programa.

Fotografia registra um quati manuseando uma abobra. O fruto está com alguns galhos que se assemelham a árvore.

Além dos animais resgatados, o instituto também recebe bichos sob cuidados de pessoas físicas, mais conhecidos como “pets não convencionais”. De acordo com o professor, animais silvestres, mesmo aqueles tratados como “pet”, têm necessidades específicas e diferentes daquelas dos animais domésticos, como cães e gatos. “Atualmente, sabe-se que promover saúde significa compreender o manejo, o comportamento, o bem-estar e as necessidades biológicas de cada espécie”, acrescenta Adriano.

Um quati (nasua nasua), por exemplo, precisa de plataformas altas, troncos e esconderijos que simulem seu habitat arbóreo e estimulem o forrageamento, nome dado ao comportamento de busca, obtenção e exploração de recursos alimentares na natureza. Quando o ambiente não atende a esses critérios, o animal pode começar a andar de um lado para o outro, a morder grades e a reproduzir outros comportamentos estereotipados que não estão associados a doenças, mas indicam estresse. 

Fotografia registra uma iguana (réptil) sobre um tronco, que está cercado de arames.

Saúde Única – O Programa de Residência Multiprofissional em Manejo, Comportamento e Bem-Estar de Animais Silvestres do Brasil também trabalha com a integração de profissionais dentro da perspectiva da Saúde Única. “O programa reúne biólogos, médicos veterinários e psicólogos, permitindo que diferentes áreas do conhecimento trabalhem de forma integrada. Essa interação amplia a qualidade da assistência prestada e proporciona uma formação inovadora, alinhada às tendências internacionais de conservação, bem-estar animal e Saúde Única”, afirma Adriano Alvarenga. 

Segundo o biólogo, a Saúde Única é a abordagem que reconhece a conexão entre a saúde animal, humana e ambiental: “os animais silvestres desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, participando da dispersão de sementes, polinização, controle de populações e manutenção da biodiversidade. Então, a formação de profissionais especializados em manejo, comportamento e bem-estar de fauna silvestre fortalece ações de conservação, reabilitação e educação ambiental, além de oferecer capacitação profissional para atender às demandas em uma região estratégica e importantíssima para a conservação e preservação da biodiversidade mundial”, explica  Adriano Alvarenga. 

Dentro do Programa de Residência Multiprofissional em Manejo, Comportamento e Bem-Estar de Animais Silvestres do Brasil, os residentes vivenciam a rotina do Hospital Veterinário e de outros cenários de prática como a Escola Experimental de Primatas da Universidade Federal do Pará (EEP/UFPA), o Parque Zoobotânico Mangal das Garças (Belém – PA) e o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/ICMBio) de Benevides – PA, participando do atendimento clínico, do manejo, da contenção, da reabilitação, da avaliação comportamental, do enriquecimento ambiental, do treinamento cooperativo, das atividades de pesquisa científica, da extensão e, ainda, das ações desenvolvidas em parceria com instituições ligadas à conservação da fauna.

TEXTO: Gabriela Cardoso - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Arquivo IMV/Campus Castanhal

Relação com os ODS da ONU:

ODS 4 - Educação de QualidadeODS 15 - Vida Terrestre

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