A Faculdade de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Pará (UFPA) realiza um projeto de extensão que tem como objetivo acolher, por meio da terapia ocupacional, pessoas com Esclerose Múltipla (EM). A iniciativa promove o cuidado, o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida da população que convive com a doença. Os atendimentos são feitos às terças e quintas-feiras.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que acomete jovens adultos e afeta o sistema nervoso central — cérebro e medula espinhal. O sistema de defesa ataca por engano a mielina, a capa protetora dos neurônios, o que atrapalha a transmissão de sinais do corpo. Entre os principais sintomas da doença, estão fadiga, problemas de visão, problemas motores e alterações sensoriais.
Apesar de ainda ser uma doença sem cura, diversos tratamentos são eficazes e permitem que o indivíduo possa viver com mais qualidade de vida. Foi pensando nisso que o Projeto de Extensão “Acolhimento e cuidado terapêutico ocupacional de pessoas com Esclerose Múltipla” foi criado na UFPA. Segundo a professora Jeice Cardoso, que coordena as atividades, a proposta da iniciativa é alinhar as práticas terapêuticas ocupacionais com o desenvolvimento de espaços que acolham e cuidem das pessoas com EM, especialmente por conta da imprevisibilidade da doença e da singularidade dos casos.
“A esclerose múltipla é um diagnóstico que a maior característica é a imprevisibilidade. A gente nunca sabe qual vai ser, por exemplo, a sequela que o paciente vai ter ou o agravo clínico. O paciente com esclerose precisa modificar muito o seu dia a dia em torno do diagnóstico, e nenhum paciente com EM é igual”, explica a professora Jeice Cardoso.


Acolhimento – A equipe do projeto atua de acordo com as especificidades e necessidades de cada paciente, por meio de intervenções na reabilitação neurológica, física e cognitiva. São trabalhadas também tecnologias assistivas voltadas à adaptação de atividades diárias das(os) pacientes.
“As nossas ações têm essa importância de fazer com que as pessoas, mesmo vivenciando um processo diagnóstico difícil e que causa sofrimento e ansiedade, consigam participar daquilo que elas precisam: do trabalho, do cuidado com a família, além de atividades de lazer. Então as nossas ações compõem a rede de apoio dessas pessoas”, enfatiza Jeice Cardoso.
As(Os) pacientes interessadas(os) em participar das atividades devem entrar em contato com a equipe do projeto pelo e-mail emacolhimentoecuidado.to@gmail.com para agendar o atendimento. Após isso, as(os) pacientes passam por um acolhimento inicial, em que são tiradas as dúvidas e também é apresentado o diagnóstico, para que os atendimentos posteriores sejam organizados e desenvolvidos.


Agosto Laranja – Criada em 2014 pela Organização Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), a campanha de saúde Agosto Laranja tem como objetivo promover o diagnóstico precoce e desmistificar a EM, oferecendo orientação e inclusão social para quem convive com a doença, além de mitigar os preconceitos que cercam as(os) pacientes.
Para divulgar ainda mais a campanha, na quinta-feira (20), a equipe do projeto vai realizar uma programação especial. A ação ocorrerá na Sala de Práticas Corporais da Faculdade de Terapia Ocupacional, das 15h às 17h, e contará com a presença da Associação Paraense de Esclerose Múltipla.
“Nós, como terapeutas ocupacionais, tentamos produzir um cuidado humanizado e acolhedor, entendendo que, antes do diagnóstico, existe uma pessoa. Propomos, então, ações para que, mesmo as pessoas vivenciando o diagnóstico da esclerose múltipla, elas se mantenham ativas na sociedade”, completa a coordenadora do projeto.
Mais informações podem ser acessadas na rede social do projeto

