A Universidade Federal do Pará (UFPA) está com inscrições abertas para propostas de oficinas e exposições que irão integrar a programação da 19ª edição do Ciência na Ilha. O evento será realizado nos dias 3 e 4 de dezembro, na Escola Estadual Profa. Marta da Conceição, em Cotijuba, e busca aproximar a produção científica das comunidades ribeirinhas por meio do intercâmbio entre escola, universidade e comunidade. As propostas podem ser submetidas até 6 de novembro, por meio de formulário disponível no site do evento.
Coordenado pelo professor Jesus Cardoso Brabo, do Instituto de Educação Matemática e Científica (Iemci/UFPA), o Ciência na Ilha é uma iniciativa de educação e divulgação científica que promove a troca de conhecimentos entre diferentes públicos. A primeira edição foi realizada em 2006, e, desde 2009, o evento ocorre de forma ininterrupta. Em 2020 e 2021, devido à pandemia de covid-19, as atividades foram realizadas de forma virtual.
Para a edição de 2026, a organização espera reunir cerca de 90 atividades entre oficinas e exposições, com participação estimada de 800 pessoas, entre estudantes e integrantes da comunidade. O evento retorna à Escola Estadual Profa. Marta da Conceição após uma reforma na unidade, que incluiu a construção de uma quadra coberta, espaço que deverá receber parte das atividades.
A programação será organizada em três modalidades: oficinas; exposições de divulgação científica, destinadas a professores e estudantes universitários; e exposições de trabalhos de Iniciação Científica Infantojuvenil (ICIJ), destinadas a professores e estudantes da educação básica.
As propostas devem abordar, preferencialmente, questões relacionadas à realidade das comunidades ribeirinhas. A comissão organizadora avaliará critérios como relevância, adequação à faixa etária do público e viabilidade de execução das atividades.

Ciência e comunidades ribeirinhas – A aproximação entre ciência e comunidades é um dos princípios que orientam o Ciência na Ilha desde sua criação. O projeto surgiu de reivindicações de lideranças comunitárias da Ilha do Combu, as quais apontavam que pesquisadores realizavam estudos na região, mas nem sempre retornavam às comunidades para compartilhar os resultados das pesquisas.
Segundo o professor Jesus Brabo, a iniciativa busca contribuir para reduzir as barreiras de acesso a atividades de cultura, educação e divulgação científica enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas em razão das características geográficas da região. Ao mesmo tempo, o evento valoriza os conhecimentos e as experiências construídos pelas próprias comunidades, promovendo o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais.
“A ideia de proporcionar um intercâmbio de saberes está justamente relacionada à preocupação em não apenas levar ciência para ser apresentada, mas também estimular que ela possa permanecer na escola, inspirando novos projetos de ICIJ, novas iniciativas de educação e divulgação científica”, afirma.

As atividades desenvolvidas durante o evento também buscam estimular o interesse dos estudantes pela ciência e incentivar a continuidade de projetos de investigação nas próprias comunidades. A expectativa é que o contato com pesquisadores, universitários e diferentes experiências científicas contribua para despertar o interesse pela pesquisa, pelas carreiras científicas e pela educação superior.
O coordenador explica que a proposta é estabelecer um processo contínuo, em que estudantes e professores possam pesquisar questões relacionadas à realidade local, compartilhar os resultados com a comunidade e estimular novas iniciativas de pesquisa e divulgação científica.
“Assim, cria-se um ciclo no qual estudantes e professores pesquisam e aprendem juntos sobre problemas comunitários, apresentam resultados na própria comunidade e inspiram outros a fazer ciência: um ciclo de formação, investigação, divulgação e transformação comunitária”, reflete.
Jesus Brabo ainda completa: “Proporcionar essa interação entre escola, universidade e comunidade só trará benefícios para os envolvidos. A universidade não pode se fechar em si mesma”.

Quem pode participar – Podem submeter propostas para oficinas e exposições de divulgação científica coordenadores ou integrantes de projetos de extensão de Instituições de Ensino Superior interessados em realizar atividades durante o evento.
Também podem participar grupos formados por professores e estudantes da educação básica que tenham desenvolvido trabalhos de Iniciação Científica Infantojuvenil. Nessa modalidade, é obrigatória a presença de um professor responsável pela inscrição e pelo acompanhamento dos estudantes durante o evento.
Cada proposta de oficina ou exposição de divulgação científica poderá ter até dois integrantes. Já as exposições de Iniciação Científica Infantojuvenil poderão contar com até três participantes: um professor e dois estudantes.
As inscrições para participar da 19ª edição do Ciência na Ilha estão disponíveis no site do evento.
Serviço
19ª edição do Ciência na Ilha
Data: 3 e 4 de dezembro de 2026
Local: Escola Estadual Marta da Conceição, Cotijuba
Submissão de propostas: até 6 de novembro
Inscrições: formulário disponível em abre.ai/ciencianailha
