Alimento completo, com vitaminas, proteínas, lipídios, sais minerais e até imunoglobulinas, o leite produzido pelas mães é um consenso entre os pesquisadores como alimento feito sob medida para as necessidades de cada bebê. Desde a década de 90, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que ele seja o alimento exclusivo até os seis meses de vida das crianças e, em 1992, a entidade instituiu, com a Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), que marca a primeira semana do Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno.
“A SMAM e o Agosto Dourado são muito importantes, porque são 31 dias para falar da importância do aleitamento materno para a humanidade e da importância de essa mulher ter um apoio para amamentar, seja ele familiar, do poder público, seja ele no sistema de saúde, no sistema de assistência social ou no sistema de direito”, explica Luisa Margareth da Silva, nutricionista da Universidade Federal do Pará/Faculdade de Nutrição (UFPA/Fanut).
De acordo com Luisa Margareth, o leite materno é um alimento seguro, completo, que possui todas as proteínas de que aquela criança precisa e que ainda traz proteção contra as doenças. “Nós dizemos que o leite da mãe é ideal para o filho dela”. Não por acaso, a cor dourada, escolhida para a campanha do mês de agosto, representa o “padrão ouro” de qualidade, uma vez que, segundo Luisa Margareth, milhares de artigos científicos já comprovaram a eficácia do leite materno, confirmando o quanto a amamentação é fundamental para o desenvolvimento neuropsicossocial do sujeito.
A nutricionista lembra que, além de reduzir o risco de mortalidade infantil, o aleitamento também beneficia as mães, protegendo-as contra o câncer de ovário, o câncer de mama e a hipertensão. “O aleitamento materno traz milhões de benefícios, inclusive a equidade. Todas as crianças amamentadas terão benefícios que nenhum outro alimento trará, e não só durante a infância, mas também durante toda a vida dela”, comenta.
“A criança que se alimenta exclusivamente do leite materno nos seis primeiros meses dorme melhor, cresce e se desenvolve melhor, e as suas habilidades chegam mais rápido: ela senta mais rápido, a cabecinha sustenta mais rápido, ela engatinha mais rápido, anda mais rápido, fala mais rápido, tira boas notas”, salienta Luisa Margareth.
Campanha mundial – Mesmo com tantas evidências científicas validando a importância do leite produzido pelas próprias mães, a taxa de amamentação exclusiva até os seis meses no Brasil ainda está abaixo do ideal. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 45,8% das crianças recebem exclusivamente leite materno nesse período — número inferior à meta de 70% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de apoio familiar, as pressões sociais e o retorno precoce ao trabalho são alguns dos fatores que dificultam a continuidade da amamentação.
“A sociedade precisa conhecer o direito desta mulher amamentar e desta criança ser amamentada. Essa mulher tem que ter o direito dela de ir e vir, de entrar nos ambientes e ter onde sentar, onde fazer uma troca de fralda, ter pontos de apoio onde ela se veja segura e possa amamentar o seu filho”, destaca a nutricionista da UFPA. Segundo ela, o aleitamento materno deve virar parte da rotina, daí a importância de aderir ao Agosto Dourado e à SMAM, que, este ano, traz o tema ‘Amamentação para o começo de vida sustentável’.
“O aleitamento materno é primordial para a saúde da criança, e toda a sociedade deve falar sobre isso”, finaliza Luisa Margareth.
