Seminário reúne UFPA, IBGE e lideranças indígenas para debater uso de dados para fortalecer políticas públicas e direitos dos povos indígenas

A Universidade Federal do Pará (UFPA) sediou, no dia 27 de abril de 2026, o seminário “Abril Indígena: Conhecimento, Direitos e Políticas Públicas”, iniciativa realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O evento reuniu representantes institucionais, pesquisadores e lideranças indígenas para discutir o papel da informação na construção de políticas públicas e na autonomia dos territórios.

Integrando a programação do “Abril Indígena”, um período marcado por mobilizações em defesa dos povos originários, o seminário teve como objetivo ampliar o acesso e a compreensão sobre as bases de dados produzidas pelo IBGE, como o uso de dados demográficos, territoriais e socioeconômicos, além de incentivar a apropriação dessas informações por comunidades indígenas, pesquisadores e agentes públicos, iniciativa fundamental para a garantia de direitos de povos originários.

Um dos destaques da programação foi a participação de estudantes e representantes indígenas de diferentes instituições de ensino superior da região Norte, como a UFPA, a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). As falas evidenciaram a importância da presença indígena nos espaços acadêmicos e de produção de conhecimento, além de reforçarem a necessidade de políticas públicas construídas a partir das realidades dos territórios.

“São mais de 700 estudantes indígenas dentro dessa instituição e eles carregam um propósito muito grande, que é a luta dentro da universidade, a qual é uma responsabilidade que nos é colocada enquanto indígenas e trazemos do nosso território, no nosso sangue, desde quando a gente nasce. Então esse espaço aqui é de grande importância” refletiu o presidente da Associação dos Povos Indígenas Estudantes da UFPA (APYEUFPA) e acadêmico de Medicina, Joxanti Jotumre Kokrapoti, do Povo Gavião.

Parceria institucional – A realização do seminário reforça a articulação entre Universidade e órgãos públicos na produção e disseminação de conhecimento. Desse modo, a parceria entre a UFPA e o IBGE foi destacada como estratégica para ampliar o acesso a informações qualificadas sobre os povos indígenas e contribuir para o planejamento de ações governamentais mais eficazes.

Representando o reitor Gilmar Pereira da Silva, o pró-reitor de Assistência e Acessibilidade Estudantil da UFPA, Ronaldo Marcos de Lima Araújo, ressaltou que a universidade possui um corpo discente diverso, com cerca de três mil estudantes quilombolas e 700 indígenas. Durante o seminário, o professor reforçou a importância de se ter acesso aos dados sobre as populações indígenas para melhor compreender a realidade do país.

“A universidade está popular na sua composição, e isso traz muitos desafios. Nós ainda temos muitos professores, gestores, técnicos e alunos que não sabem lidar com essa diversidade. É importante educarmos a universidade. É necessário haver um diálogo entre esses diferentes saberes para que possa ocorrer essa integração”, ressaltou.

O superintendente do IBGE no estado do Pará, Rony Helder Nogueira, destacou a parceria já existente entre o Instituto e a UFPA, por meio da Casa Brasil IBGE, inaugurada em 2025 e que funciona na universidade.

“É um espaço de disseminação de informações e uma forma de cumprirmos a nossa missão de retratar o Brasil”, disse Nogueira, que também destacou a importância que os movimentos indígenas terão durante a coleta de dados no âmbito do Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, que irá a campo em 2027.

“A gente reconhece, apoia, estimula e faz parcerias porque momentos como esse são vitais. É a partir de dados que a gente estrutura políticas públicas de demarcação, de saúde, de acesso à cidadania, de educação e sociais”, complementou a coordenadora da Coordenação Regional Tapajós, Richelly de Nazaré Lima da Costa, também representante na cerimônia da Presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), Lúcia Alberta Baré.

Uso prático dos dados – A programação incluiu a palestra “Inovações metodológicas no retrato dos povos indígenas no Censo 2022 e potencialidades”, que abordou os avanços na coleta e sistematização de dados sobre essa população. O debate mostrou como as mudanças metodológicas impactam diretamente na visibilidade estatística dos povos indígenas e, consequentemente, na formulação de políticas públicas mais adequadas.

Outro momento do seminário foi dedicado à apresentação do banco de dados SIDRA, ferramenta do IBGE que permite o acesso a informações detalhadas do Censo Demográfico. A atividade destacou as possibilidades de utilização dos dados por pesquisadores, gestores públicos e pelos próprios povos indígenas, especialmente no planejamento territorial e na defesa de direitos.

TEXTO: Tahís Cristine – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

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