Durante o Mês do Patrimônio, espaços históricos sob responsabilidade da Universidade Federal do Pará (UFPA) se transformam também em lugares de encontro com a história de Belém. A programação promovida pela Universidade reúne ações de educação patrimonial para estudantes de escolas públicas, no Fórum Landi, e visitas guiadas ao Complexo dos Mercedários, além de chamar atenção para o trabalho permanente de preservação, recuperação e ocupação do patrimônio da Instituição.
No Fórum Landi, as atividades de educação patrimonial aproximam estudantes da história e da arquitetura da cidade por meio de uma experiência que combina visita, mediação e atividades práticas. A proposta é estimular crianças e jovens a reconhecerem o patrimônio como parte de sua própria história e compreenderem a importância de sua preservação.
Entre as atividades previstas, os estudantes terão contato com representações do Centro Histórico de Belém por meio de maquetes e participarão de uma oficina de construção de maquetes de papel. A experiência busca despertar um novo olhar sobre edifícios, monumentos e espaços que, muitas vezes, fazem parte do cotidiano da cidade, mas a história deles nem sempre é conhecida.

As atividades de educação patrimonial realizadas durante o Mês do Patrimônio contam com o apoio da Vale e do Jornal Diário do Pará. A iniciativa contribui para aproximar crianças e jovens da história e do patrimônio de Belém, estimulando o reconhecimento desses espaços como parte da memória e da vida da cidade.
As ações desenvolvidas pelo Fórum Landi integram um projeto mais amplo, que conta com recursos captados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio master da Vale e patrocínio da Transpetro. Os recursos possibilitam o desenvolvimento de iniciativas voltadas à valorização, à preservação e à difusão do patrimônio cultural.
Patrimônio de portas abertas – Outra frente da programação ocorre no Complexo dos Mercedários, que recebe visitas guiadas às quartas e sextas-feiras, durante o Mês do Patrimônio. A iniciativa oferece ao público a oportunidade de conhecer a história, a arquitetura e os diferentes usos que marcaram a trajetória do conjunto histórico.
A abertura desses espaços à população integra uma concepção de preservação que não se limita à conservação física das edificações. “Preservar patrimônio é também garantir acesso à cultura, ao conhecimento e à memória. São espaços que precisam continuar vivos e a serviço da sociedade”, destaca o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva.

Essa perspectiva pode ser percebida nos diferentes usos que o Mercedários abriga atualmente. No espaço, funciona a Galeria de Arte da Universidade Federal do Pará (GAU), voltada à produção de conhecimento, à valorização da arte e da cultura, à preservação do patrimônio artístico e à democratização do acesso à arte. O complexo também abriga a Livraria da Editora da UFPA, que funciona de quinta a segunda-feira, das 10h às 20h, nos dias de semana; e das 10h às 16h, aos sábados e domingos, ampliando a circulação da produção acadêmica e editorial da Universidade.
Na GAU, está em cartaz a exposição Terra Incógnita, notas amazonianas, que apresenta parte da Coleção Amazoniana de Arte da UFPA. Concebida a partir de 2010, a coleção é voltada à reflexão e articula ações de ensino, pesquisa e extensão. O acervo reúne obras que falam de vivências e pertencimentos e apresenta perspectivas de artistas construídas com base nas experiências e nos modos de existir na Amazônia. A exposição tem curadoria de Orlando Maneschy e Keyla Sobral e assistência curatorial de Paola Maués.
O Mercedários também desenvolve uma ação de criação coletiva de um painel de azulejos. A iniciativa envolve estudantes de graduação e pós-graduação e pessoas que se disponibilizaram a contribuir para a criação das peças de acordo com as suas vivências. Realizado em conjunto com o Lacore, a Facore e o PPGPatri, o trabalho está na etapa de ajustes e queima dos azulejos. Depois de concluído, o painel ficará, inicialmente, exposto no Mercedários e, posteriormente, deverá ser instalado em outro espaço da UFPA, ainda a ser definido.

O conjunto histórico passa, atualmente, por processo de restauro e reabilitação. A obra conta com apoio financeiro do Sistema BNDES e patrocínio do Instituto Cultural Vale. A execução envolve a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), o Lacore/UFPA e a GM Engenharia Ltda., tendo a UFPA e a Arquidiocese de Belém como intervenientes.
A ocupação cultural dos imóveis históricos da Universidade também pode ser observada no Museu da UFPA (Mufpa). Atualmente, o espaço recebe a exposição Imaginários Queer: entre o figurativo e o abstrato, que reúne artistas do Pará e do Ceará, em diferentes linguagens, como pintura, escultura, fotografia, vídeo, instalações e objetos. Com curadoria de Eduardo Bruno e Paola Maués e curadoria adjunta de Waldirio Castro, a mostra apresenta uma produção artística construída a partir do Norte e do Nordeste, abordando questões relacionadas ao cuidado, ao afeto, à ecologia, ao território, à mitopoética, à cosmologia e às religiosidades não hegemônicas.
Preservação como compromisso permanente – As atividades realizadas durante o mês dão visibilidade a um trabalho que integra a atuação permanente da Universidade. A UFPA é responsável por um conjunto significativo de bens e espaços de importância histórica, arquitetônica, cultural e acadêmica, localizados em diferentes áreas de Belém.

Fazem parte desse conjunto, além do Fórum Landi, do Complexo dos Mercedários e do Museu da UFPA, a Capela Pombo, o Instituto de Ciências Médicas, a Escola de Teatro e Dança, o Núcleo de Medicina Tropical, o Instituto de Ciências da Arte, o prédio do Programa de Pós-Graduação em Artes e o Centro de Memória da Amazônia, entre outros espaços ligados à trajetória da Universidade e da própria cidade.
“Nos últimos anos, a UFPA tem atuado na elaboração de projetos, captação de recursos e articulação de parcerias para viabilizar a recuperação e a reabilitação de parte desse patrimônio. Fórum Landi, Complexo dos Mercedários e Capela Pombo estão entre os espaços contemplados por iniciativas dessa natureza”, exemplifica o reitor.
O trabalho envolve, ainda, diálogo com os órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio histórico, de forma a conciliar preservação, segurança, acessibilidade e novos usos para edificações que atravessaram diferentes períodos da história de Belém.
“A perspectiva da UFPA é fazer com que esses espaços permaneçam vivos, transformando seu patrimônio em oportunidade de produção e compartilhamento de conhecimento, aproximando diferentes gerações da história da cidade e da Amazônia”, conclui o reitor da UFPA.
