A Universidade Federal do Pará (UFPA) divulgou nesta sexta-feira, 3 de julho, o resultado do Processo Seletivo Especial Pronera/Incra 2026. Fruto da parceria entre a universidade e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o processo seletivo (PS) ofertou 160 vagas este ano. A divulgação aconteceu no auditório da Reitoria da UFPA, Campus Guamá, em Belém.
A seleção é voltada a assentados da reforma agrária, agricultores familiares, remanescentes de quilombos cadastrados pelo Incra, educadores que atuam junto a famílias beneficiárias e demais grupos previstos no Pronera.
As vagas, destinadas a Belém, são para os cursos de Engenharia Sanitária e Ambiental, Direito e Licenciatura em Geografia. O reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira, que esteve presente durante a divulgação, ressaltou a importância do processo seletivo na ampliação de oportunidades a grupos historicamente excluídos.
“Cursos como Direito e as engenharias sempre estiveram distantes da realidade de muitos trabalhadores e trabalhadoras do campo. Levar essas oportunidades a quem historicamente não teve acesso a elas é exatamente o papel de uma universidade pública. Essa é a nossa tarefa e a nossa responsabilidade”, declarou.
Para a diretora-geral do Instituto de Ciência Jurídica (ICJ), professora Valena Jacob, que acompanhou a divulgação do resultado, receber os novos estudantes na Faculdade de Direito, especialmente na primeira turma do curso pelo Pronera, marca um momento histórico para o instituto.
“A concretização deste projeto representa um momento histórico e de celebração para o nosso Instituto e para a Faculdade de Direito. O Pronera não é apenas um programa de ensino, é a materialização da nossa missão social de democratizar o acesso à justiça e ao conhecimento técnico-científico”, comentou a docente.
O processo, composto por três fases eliminatórias, garante aos aprovados o acesso ao ensino superior. Os cursos são alicerçados na metodologia da Pedagogia da Alternância, permitindo aos estudantes conciliar tempo-universidade e tempo-comunidade.
Segundo Adolfo Oliveira, coordenador do Pronera e professor da Faculdade de Geografia e Cartografia, o processo seletivo fortalece o compromisso da universidade com os grupos assistidos pelo Incra.
“Marca para nós a continuidade de um processo em que a gente dialoga com essas comunidades, não apenas a partir da pesquisa, não apenas a partir da extensão, mas também a partir do ensino, fazendo com que esse público acesse, entre na nossa faculdade, consiga se formar e volte para atuar nas escolas do campo, em especial nas suas comunidades, quebrando o ciclo de exclusão e marginalidade a que esses sujeitos estavam submetidos”, destacou..
Ingressar no ensino superior é o início de uma fase marcada por desafios. Para quem vem do campo os obstáculos se iniciam ainda nos territórios. Segundo Claudiane Oliveira, representante regional do Pronera no Incra, ocupar uma vaga na universidade representa uma conquista coletiva.
“Eu gostaria de me dirigir aos nossos ingressantes com uma frase que o Nego Bispo utilizava muito, que é: a vasilha que recebe é a mesma que dá. Que eles entendam que essa conquista, ela não é individual, ela é coletiva. E que, após formados, eles possam devolver aos territórios e aos seus povos, em serviços, luta e engajamento. Que eles possam fazer o Pronera continuar tendo sentido, que é o sentido de fortalecimento da coletividade”, afirma.
De acordo com a coordenadora do Pronera Marajó e professora da Faculdade de Engenharia Sanitária e Ambiental, Rose Meira, ofertar esse curso na região amazônica, que apresenta baixos índices de saneamento básico, é uma oportunidade para esses alunos serem protagonistas de mudanças em seus territórios.
“Para a gente, é muito importante a oferta desse curso para essa região, principalmente por conta dos baixíssimos índices de saneamento e IDH que existem nessa região. Então, é muito importante ampliar a voz desses alunos para retratar a realidade sanitária dessas comunidades. Esse projeto tem um impacto grande para a comunidade, não é só um projeto educacional”, defendeu a docente.
Para mais informações sobre o certame, processo de habilitação e início das aulas acesse o site oficial do Ceps.

