Em reunião realizada na sede do Comando Militar do Norte, a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Exército Brasileiro avançaram nas tratativas para a construção de uma parceria estratégica que integra capacidade científica, formação acadêmica e infraestrutura logística militar na Amazônia. O encontro reuniu representantes de ambas as instituições para discutir agendas conjuntas voltadas à pesquisa, ao ensino e à extensão na região.
Pela UFPA, participaram a vice-reitora Loiane Prado Verbicaro; o coordenador do Centro Integrado da Sociobiodiversidade da Amazônia (CISAM), Leandro Juen; a coordenadora do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) Amazônia Oriental, Thaísa Michelan; o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO), Luciano Montag; a vice-coordenadora do Instituto Amazônico do Mercúrio (IAMER), Gabriela Arrifano; e Eva Jaques, da administração da rede CISAM. O Exército foi representado pelo General José Ricardo Vendramin Nunes, pelo Coronel Marques Silva, pelo Major Wellinton e pela Tenente Thaís Rezende.
Durante o encontro, foram apresentadas as principais redes de pesquisa coordenadas pela UFPA, com destaque para o CISAM, uma rede transdisciplinar e interinstitucional que integra 13 universidades federais na Amazônia e atua tanto em grandes centros urbanos quanto em regiões remotas. A estrutura da rede permite a mobilização ágil de equipes, a produção de dados em diferentes escalas e a integração entre ciência, sociedade e gestão pública.
“Trabalhamos com redes que conectam dados, pessoas e instituições em toda a Amazônia. Sabemos que a realidade é desafiadora, seja pela logística, pelas distâncias ou pelas questões de segurança em campo. Mas, ao somarmos esforços, conseguimos avançar. O apoio logístico do Exército, com o uso de suas organizações militares como pontos de apoio para pesquisa e ensino, pode representar um avanço concreto e imediato para nossas ações”, destacou o professor Leandro Juen sobre o potencial de sinergia entre as duas instituições.
A professora Thaísa Michelan destacou o potencial do PPGECO para a formação de recursos humanos e para o desenvolvimento de pesquisas aplicadas. “Temos um programa consolidado, com forte capacidade de formação e pesquisa. Estamos à disposição para construir parcerias que ampliem essas ações em campo”, disse. Na mesma linha, o professor Luciano Montag reforçou a importância da colaboração institucional. “O PPGECO tem condições de contribuir em diferentes frentes, desde a formação até a execução de projetos em áreas estratégicas. Parcerias como essa são fundamentais para ampliar nosso alcance”, afirmou. A professora Gabriela Arrifano destacou a relevância das pesquisas sobre contaminação ambiental na região, especialmente as relacionadas ao mercúrio. Segundo ela, a articulação com o Exército pode fortalecer as ações já em andamento e ampliar o alcance dos estudos.
A reunião também trouxe à tona os principais obstáculos para a produção de conhecimento na região: baixa acessibilidade, longas distâncias, desigualdade na distribuição de investimentos em ciência e tecnologia e questões crescentes de segurança para equipes em campo. Os participantes reconheceram que a Amazônia é composta por múltiplas realidades territoriais, sociais e ambientais e que a integração institucional é essencial para conectar essas “várias Amazônias” e ampliar a produção de conhecimento na região.
A vice-reitora Loiane Verbicaro ressaltou o posicionamento estratégico da UFPA nessa articulação: “A UFPA tem uma missão institucional voltada à produção de conhecimento, à formação de pessoas e à contribuição direta para a sociedade amazônica. Nossa capilaridade, presença no território e experiência em redes colaborativas posicionam a Universidade como uma parceira estratégica do Exército. Estamos muito satisfeitos com o avanço desse diálogo, que abre oportunidades concretas de atuação conjunta em pesquisa, formação e apoio a políticas públicas na Amazônia”.
O General José Ricardo Vendramin Nunes, Comandante Militar do Norte, reafirmou o interesse do Exército em aprofundar a cooperação com a UFPA. “Como Comando Militar da área amazônica, conhecer mais profundamente a biodiversidade e os povos da região fortalece nossa capacidade de defesa e segurança do território. O Exército está à disposição da Universidade para construir e ampliar essas parcerias, contribuindo também com o apoio à produção científica, para que o desenvolvimento e o conhecimento cheguem cada vez mais às comunidades amazônicas.”
Próximos passos – Como encaminhamentos iniciais, as instituições definiram a elaboração de uma agenda conjunta, com identificação de pontos focais institucionais e mapeamento de áreas prioritárias para atuação integrada.
A integração entre capacidade científica, formação acadêmica e infraestrutura logística foi apontada como caminho estratégico para ampliar a presença institucional no território amazônico, reduzir desigualdades na produção de conhecimento e fortalecer ações voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.
