Um olhar atento, uma fotografia e um clique que podem mudar o futuro. Esses gestos em cadeia e feitos a partir de uma integração entre diferentes grupos, compõem o chamado monitoramento participativo. A proposta teve forte adesão da comunidade acadêmica da Universidade Federal do Pará (UFPA) e de diferentes setores da sociedade durante a Semana Nacional da Biodiversidade, realizada entre os dias 18 e 24 de maio.
Nesse período, a iniciativa mobilizou instituições, pesquisadores, estudantes e o público em geral, em diferentes regiões do Brasil. Na UFPA, as atividades envolveram ações no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e no Restaurante Universitário (RU), além de um evento aberto no domingo, 24, no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, que contou com grande mobilização social.
De acordo com o professor da UFPA, Leandro Juen, docentes, estudantes de graduação e de pós-graduação, pesquisadores, bolsistas e colaboradores, atuaram na promoção de educação ambiental, divulgação científica e ciência cidadã. Um dos principais objetivos foi apresentar e estimular o uso do aplicativo iNaturalist, uma plataforma gratuita que permite registrar plantas, animais, fungos e outros organismos a partir de fotografias feitas pelo celular.

“Acredito que uma das mensagens mais importantes dessa Semana da Biodiversidade é que o monitoramento não precisa acontecer apenas em grandes expedições e em áreas distantes. Ele pode acontecer nos espaços que frequentamos todos os dias, como, por exemplo, aqui na própria UFPA, no ICB, no restaurante universitário, ou mesmo nos jardins das casas, nas praças, nos parques, no caminho da escola, nos bairros”, reflete Juen.
Segundo os organizadores, esses registros contribuem para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e podem apoiar ações de pesquisa, educação ambiental, divulgação científica e conservação.
Domingo no Utinga – No Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, em Belém, a programação incluiu uma exposição sobre biodiversidade, atividades educativas, orientação sobre a instalação e o uso do iNaturalist e saídas guiadas em trilhas para observação e registro de espécies. As atividades foram conduzidas por equipes vinculadas ao PPGECO, LabEco, ECOPRO, LABEV, Biomacro, Rede AmOr (PPBioAmor; PELDAmor); INCT SinBiAm, CAPACREAM, CISAM e CIEZ, em articulação com parceiros locais.
“Essa aliança, esse movimento lindo que vocês estão fazendo aqui com a gente no Parque do Utinga, representa bem a parceria de que a sociedade precisa para garantir a defesa da biodiversidade. Esse potencial de integração entre as áreas protegidas e a ciência cidadã reforça a importância de ações como essa”, acentua o gerente do Parque do Utinga, Júlio Meyer.
Participante de uma das trilhas realizadas durante a programação, a estudante de biologia da UFPA, Giovana Drago, aprovou o aplicativo e pretende continuar fazendo os registros daqui em diante. “Estou gostando muito de fotografar vários organismos presentes aqui. Pra mim, esse APP tá sendo muito empolgante, porque muitas vezes tentei identificar um bichinho colocando a foto no navegador e o resultado saía errado. Agora, utilizando o aplicativo, ficou bem melhor, mais interessante”, destaca.
A aposentada Nilza Veiga, que levou a neta Maria Luiza para visitar a exposição de espécies no Utinga, durante a atividade de domingo, enfatizou a relevância do contato com esse tipo de informação. “É muito importante que a gente tenha consciência do que temos na nossa biodiversidade, especialmente na Amazônia, quando temos tantos problemas ambientais acontecendo à nossa volta”, conclui.

Balanço parcial – A ação em Belém integrou uma mobilização nacional. Até o momento, o projeto em escala Brasil registrou no APP iNatualist em torno de 5 mil espécies, além de aproximadamente 20 mil observações. Esses números indicam o potencial da ciência cidadã para ampliar a produção de dados sobre a biodiversidade.
“O evento busca aproximar a população e incentivar a observação da natureza em diferentes ambientes, como parques, praças, escolas, universidades, quintais, rios, igarapés, lagos, áreas urbanas e unidades de conservação. A proposta é mostrar que qualquer pessoa pode contribuir para o monitoramento, mesmo sem formação especializada”, destaca a professora Grazielle Teodoro (coordenadora do PPBIO AmOr e do ICB/UFPA), que participou do evento no Utinga.
Já a professora Thaisa Michelan, coordenadora do PELD AmOr, ressalta que a ação reforçou o papel da universidade pública, dos programas de pós-graduação, dos laboratórios de pesquisa e das redes colaborativas nesse processo. “Isso evidencia a importância de formar estudantes e envolver a comunidade em ações de observação, registro e valorização da biodiversidade, especialmente em uma capital amazônica”, pontua a docente. O coordenador do PPGECO, Luciano Montag, destaca que “A participação do PPGECO nessa mobilização reforça uma das missões centrais da pós-graduação: formar pessoas capazes de produzir conhecimento científico de qualidade e, ao mesmo tempo, dialogar com a sociedade. A Semana da Biodiversidade mostrou que nossos estudantes, docentes, laboratórios e redes de pesquisa podem atuar de forma integrada para aproximar a população da ciência, estimular o monitoramento participativo e valorizar a biodiversidade amazônica. Esse tipo de ação amplia o impacto social da universidade e fortalece a formação de novos pesquisadores comprometidos com a conservação e com os desafios ambientais da região.”
Segundo a organização, a participação do público no Parque do Utinga demonstrou o interesse da sociedade em ações de ciência cidadã e educação ambiental. A expectativa é de que a mobilização contribua para ampliar o uso do iNaturalist em Belém e em outras regiões do país, fortalecendo as redes de monitoramento participativo da biodiversidade.