A Universidade Federal do Pará (UFPA) recebe mais uma edição do HackaTruck Maker Space, laboratório itinerante de tecnologia que percorre universidades brasileiras promovendo formação gratuita em inovação e desenvolvimento de soluções digitais.
Instalada no estacionamento do Centro de Eventos Benedito Nunes, no campus Guamá, a estrutura em formato de caminhão-laboratório oferece aos estudantes uma imersão intensiva de cinco semanas em áreas estratégicas da tecnologia contemporânea.
A iniciativa é realizada em parceria com o Instituto de Pesquisas Eldorado, com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), e reforça o compromisso institucional da UFPA com a formação científica e tecnológica, além de estimular a criatividade, o empreendedorismo e o desenvolvimento de talentos na Amazônia.
Durante o programa, os participantes cumprem uma carga diária de quatro horas de atividades práticas, totalizando cerca de 100 horas de formação durante cinco semanas. Nesse período, estudantes de diferentes áreas do conhecimento têm contato direto com tecnologias avançadas, como desenvolvimento de aplicativos, inteligência artificial, computação em nuvem e prototipagem com impressoras 3D. As atividades são conduzidas por especialistas do Instituto Eldorado, entre eles o instrutor André Gerez Foratto, e contam com coordenação local do professor Antonio Abelém, diretor de Pesquisa da Propesp.

Ao dar as boas-vindas às turmas, o reitor Gilmar Pereira da Silva destacou a intensidade e o caráter estratégico da formação oferecida pelo programa. Segundo ele, a experiência representa um diferencial significativo na trajetória acadêmica e profissional dos estudantes. “Estes estudantes estão fazendo um curso de ponta. Cinco semanas mergulhados em tecnologia é um diferencial para qualquer disciplina na universidade e essa experiência intensa é um ganho de conhecimento que certamente vai se refletir no currículo dos participantes e, mais importante ainda, na capacidade de inovar”, afirmou.
O reitor também ressaltou que a experiência pode contribuir para reflexões institucionais sobre novas formas de reconhecimento acadêmico de formações complementares voltadas à inovação. “São 100 horas de curso, o equivalente a várias disciplinas. Dependendo da perspectiva, os estudantes podem estar cursando aqui algo com potencial estratégico para a vida acadêmica e para o mercado de trabalho”, disse.
“A presença do HackaTruck na UFPA demonstra como a Universidade funciona como espaço de articulação entre formação acadêmica, inovação tecnológica e desenvolvimento regional. Ao aproximar estudantes amazônicos de tecnologias emergentes e de metodologias contemporâneas de criação, a iniciativa amplia horizontes profissionais e contribui para fortalecer o ecossistema de inovação na região”, acrescentou o reitor.
Para o professor Antonio Abelém, que já coordenou a primeira passagem do HackaTruck na UFPA em 2018, o projeto amplia o acesso dos estudantes a tecnologias e plataformas que muitas vezes não estão disponíveis no cotidiano universitário.
Segundo ele, a iniciativa do Instituto Eldorado, que atua como braço de pesquisa e inovação ligado a grandes empresas do setor tecnológico, permite que os alunos trabalhem diretamente com ferramentas utilizadas no mercado global. “Eles têm contato com soluções tecnológicas proprietárias e com equipamentos que nem sempre estão disponíveis dentro da universidade. Isso inclui tecnologias associadas a empresas como Apple e IBM, por exemplo. Esse tipo de experiência acaba gerando um diferencial competitivo importante para os estudantes quando eles ingressam no mercado de trabalho”, explicou.
O HackaTruck integra um conjunto de ações financiadas a partir de mecanismos de incentivo à inovação previstos na legislação brasileira, como a chamada Lei de Informática, que estimula investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Na UFPA, o projeto funciona com duas turmas diárias, uma no período da manhã e outra à tarde, e adota uma metodologia baseada em desafios. Ao longo da formação, os estudantes aprendem a utilizar as ferramentas tecnológicas e, gradualmente, passam a desenvolver soluções para problemas concretos. “Na etapa final, os próprios alunos propõem desafios e desenvolvem soluções. Muitas vezes surgem ideias de aplicativos, sistemas ou protótipos que podem se transformar em startups ou projetos de impacto social”, destaca Abelém.
Entre os exemplos já registrados em outras edições do programa estão soluções voltadas à acessibilidade, como ferramentas digitais para auxiliar pessoas com dificuldades de leitura ou deficiência auditiva. Em muitos casos, os estudantes identificam problemas reais em seu cotidiano e desenvolvem alternativas tecnológicas para enfrentá-los.

