Para estimular o raciocínio científico e aproximar os jovens da universidade, o Grupo “Experimentando Ciências: O Corpo Humano em Movimento”, da Universidade Federal do Pará (UFPA), promoveu o curso de extensão “Experimentando Ciência”, que reuniu estudantes do ensino médio e da graduação em uma experiência de aprendizagem baseada na investigação científica, entre os dias 17 e 21 de agosto, na Escola de Aplicação da UFPA.
Com base nas perguntas propostas, os participantes da atividade elaboram hipóteses e desenvolvem experimentos para testá-las. Por exemplo, perguntas sobre como o exercício físico pode influenciar a memória, a atenção, o humor e o sono são transformadas em hipóteses e experimentos pelos próprios estudantes, que participam da construção das teorias e da busca por respostas. A metodologia não utiliza aulas expositivas tradicionais, os monitores atuam apenas como facilitadores, oferecendo instrumentos e auxiliando os estudantes na construção do raciocínio necessário para realizar a investigação por eles mesmos.
“A principal ação que os participantes desenvolvem ao longo de todo o curso é aprender a formular perguntas das suas próprias curiosidades, construir hipóteses e compreender como testá-las”, explica o professor João Bento Torres, coordenador do Grupo Experimentando Ciências: O Corpo Humano em Movimento, que integra a Rede Nacional Leopoldo de Meis de Educação e Ciência (RNEC) desde 2004. A rede é atuante no desenvolvimento de atividades de experimentação científica de curta duração voltadas à aproximação entre estudantes e o universo da Ciência e o curso Experimentando Ciências é ofertado anualmente.

Interações entre monitoria e estudantes – A participação conjunta de estudantes do ensino médio e da graduação é um dos diferenciais da iniciativa. Segundo o coordenador, a convivência entre os diferentes níveis de formação cria um ambiente de troca em que criatividade e pensamento crítico ocupam posição central.
“A interação entre as pessoas que constroem e idealizam o curso, que é a coordenação e os monitores, com alunos da graduação e do ensino médio da escola pública, cria um ciclo virtuoso fantástico. É muito interessante ver como essa interação produz eventos realmente interessantes”, reflete o coordenador, que reforça que o principal elemento cognitivo e mental utilizado no curso é a criatividade e o raciocínio crítico dos jovens estudantes. A experiência permite, assim, reconhecer as diferentes potencialidades e oportuniza o desenvolvimento do letramento científico, entendido como uma ferramenta importante para a participação dos indivíduos na sociedade.
Habilidades investigativas e experiências práticas – Entre as habilidades desenvolvidas durante o curso, estão a capacidade de desenvolver o trabalho em equipe de maneira integrada e a aprendizagem de como utilizar o raciocínio científico, a criatividade e o pensamento crítico para solucionar problemas. Os experimentos também permitem que os estudantes estabeleçam relações entre a investigação científica e situações do cotidiano.
Entre os temas explorados no curso O Corpo Humano em Movimento, estão os possíveis efeitos da atividade física sobre memória, atenção e desempenho escolar. Com os resultados obtidos, os participantes refletem sobre seus próprios hábitos e sobre estratégias relacionadas ao bem-estar e ao desempenho cognitivo.

“A temática mais recentemente desenvolvida no curso tem permitido que os estudantes desenvolvam conhecimentos e estratégias metacognitivas para tomarem decisões relacionadas à própria saúde mental deles. Os experimentos que eles fazem tendem a reproduzir o que a literatura científica demonstra: que fazer exercício físico, dependendo da intensidade e para que pessoa, pode melhorar o desempenho cognitivo e a atividade cerebral”, aponta o coordenador.
Universidade cada vez mais próxima – A experiência também pode contribuir para aproximar os estudantes do ensino médio da universidade e da carreira científica. “Esse tipo de interação empodera esses estudantes da escola a enxergarem a universidade como uma meta tangível aqui do lado”, pondera o professor João Bento.
Além disso, de acordo com o professor, alguns estudantes que participaram da formação como graduandos, posteriormente, também seguiram trajetórias acadêmicas e profissionais, e continuaram envolvidos com o projeto, atuando como monitores. O que, para ele, demonstra como a experiência pode produzir efeitos de longo prazo na formação científica.
Ao longo de sua trajetória, o curso já foi realizado em municípios como Oriximiná, Bragança, Mãe do Rio, Salinópolis, Irituia e Castanhal e está aberto a escolas interessadas. Quem desejar conhecer o projeto e verificar a possibilidade de integração deve entrar em contato com o coordenador, João Bento Torres, pelo endereço eletrônico do professor: jneto@ufpa.br.
