A Universidade Federal do Pará (UFPA) recebeu a visita da representante do Ministério da Saúde, Meiruze Souza Freitas. A gestora, que assumiu a diretoria do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) em maio de 2025, veio conhecer o Centro Âncora do Genomas SUS da Região Norte, sediado no Campus Guamá da UFPA, em Belém (PA).
Vinculado ao Programa Nacional de Genômica e Saúde de Precisão – Genomas Brasil, o Projeto Genomas SUS é fruto da parceria entre o Ministério da Saúde e várias instituições públicas de ensino e pesquisa do país. Na UFPA, o projeto é desenvolvido pelo Laboratório de Genética Humana e Médica (LGHM), em colaboração com o Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (Ctic).

“Nós somos nove centros-âncora, mas o único da região norte é o Centro Âncora da Amazônia Pará, que fica sediado aqui na Universidade. Isso significa tecnologia de qualidade e de referência na saúde para dentro dos muros da UFPA, assim como o oferecimento de capacitação e serviços para a comunidade de um modo geral”, explica a professora da Universidade e coordenadora do Genomas SUS Amazônia Ândrea Ribeiro dos Santos, que conduziu a visita da representante às instalações do Centro.
Instalações do Centro Âncora – Durante a visita, a representante pôde conhecer de perto as instalações do projeto, incluindo os robôs e as plataformas utilizadas para a extração e preparo do DNA para o sequenciamento genético.
“Foi um pouco de coração palpitante testemunhar a grandeza de unir a pesquisa, a assistência e o trabalho de uma equipe da universidade, do Ministério da Saúde, fazendo realmente com que a ciência esteja em todo o país, especialmente na região norte”, enfatizou Meiruze Freitas no decorrer da visita. “É uma forma de nós trazermos, por meio do Genomas SUS, a medicina de precisão à sociedade, garantindo um acesso mais equânime à população. Então, o que acontece aqui, no Centro Âncora da Amazônia, é a consolidação de interiorizar no nosso país essa estratégia, de conhecer o genoma da nossa sociedade, da nossa diversidade e a forma do Sistema Único de Saúde (SUS) estar mais próximo da sociedade.”

Genomas SUS e Saúde de Precisão – O Genomas SUS é um projeto nacional financiado pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS) do Ministério da Saúde. Em sua primeira fase, a iniciativa propõe a criação de um banco de dados que reúna 21.000 genomas brasileiros das cinco regiões geográficas do Brasil, com o objetivo de garantir representatividade genômica, demográfica e de ancestralidade brasileira.
Trabalhar com a variabilidade genômica da nossa espécie é um dos pilares da saúde de precisão. Isso porque, no modelo tradicional de saúde, pacientes com o mesmo problema recebem o mesmo remédio ou a mesma dose; já na saúde de precisão, os médicos levam em conta as especificidades do organismo de cada um, como um tratamento sob medida. Sabe-se, por exemplo, que variantes genéticas podem reduzir ou aumentar a resposta dos pacientes a medicamentos, então, quanto maior a representatividade genômica da população, mais específicos e eficazes serão os tratamentos locais.
“Infelizmente, ainda hoje, quase não existem dados sobre a variabilidade genômica da nossa população [amazônica]”, conta a professora Ândrea Ribeiro. “Nós ficamos com a representatividade da região Norte para começar a mudar isso. A saúde pública de precisão é a base de todo tratamento correto que seja aplicado por qualquer setor de saúde. Quando você vai fazer um tratamento de uma uma doença crônica que é prolongada, como a malária ou a tuberculose, você pode saber com antecedência qual é o melhor medicamento que é aplicado a você. A Amazônia é gigante e a gente precisa muito mapear a variabilidade genética das populações daqui, para entender quais são os problemas reais do ponto de vista de efeito adverso, de tratamento e de qualidade de vida dessas pessoas”, ressalta a coordenadora.
